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Homem que assassinou ex-premiê do Japão em 2022 é condenado à prisão perpétua

Em julho de 2022, Tetsuya Yamagami disparou contra o ex-primeiro ministro japonês Shinzo Abe com uma arma caseira; agora, ele foi condenado à prisão perpétua

Shinzo Abe / Crédito: Getty Images

Nesta quarta-feira, 21, um tribunal japonês proferiu a sentença de prisão perpétua contra Tetsuya Yamagami, o homem responsável pela morte do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, em um caso que abalou profundamente o Japão. A informação foi divulgada pela emissora NHK.

O julgamento, que se arrastou por anos, revelou não apenas a gravidade do ato de violência em uma nação onde a ocorrência de crimes com armas é extremamente rara, mas também trouxe à tona questões envolvendo uma influente seita religiosa no país.

Yamagami, agora com 45 anos, foi preso imediatamente após ter disparado contra Abe com uma arma artesanal durante um discurso do ex-primeiro-ministro em Nara, no oeste do Japão, em 2022. Na época do crime, Abe já havia renunciado ao cargo de primeiro-ministro em 2020 devido a problemas de saúde, mas continuava a ser uma figura política de grande influência, repercute a CNN Brasil.

No decorrer do julgamento, os promotores solicitaram a condenação máxima, alegando que o assassinato era um “incidente extremamente grave e sem precedentes na história do pós-guerra”, conforme reportou a Reuters. A defesa, por sua vez, pleiteou por uma pena mais leve, destacando o sofrimento familiar de Yamagami causado pela Igreja da Unificação.

Cenário político japonês

O governo de Shinzo Abe é lembrado como um período de relativa estabilidade política no Japão. Ele ocupou o cargo por dois mandatos: o primeiro entre 2006 e 2007 e o segundo de 2012 até sua renúncia em 2020. Durante seu tempo no poder, Abe reformulou as políticas de segurança nacional do Japão e promoveu uma legislação que ampliou as capacidades militares do país em colaboração com os Estados Unidos.

A morte de Abe provocou uma onda de consternação na sociedade japonesa, que possui algumas das leis mais rigorosas sobre controle de armas no mundo. Desde a sua saída do cargo, o panorama político no Japão tem enfrentado desafios significativos, com a sucessão de líderes e crises dentro do Partido Liberal Democrático (PLD), partido ao qual Abe pertencia.

Recentemente, a primeira-ministra Sanae Takaichi, aliada de Abe, anunciou eleições antecipadas para tentar reverter a imagem do PLD e capitalizar sua crescente popularidade. O partido enfrenta crises internas após um escândalo relacionado a um fundo secreto e uma inflação em ascensão.

Adicionalmente, o assassinato expôs as relações entre o PLD e a Igreja da Unificação. Yamagami alegou que sua motivação para assassinar Abe estava ligada à crença de que o ex-primeiro-ministro tinha conexões com essa seita religiosa sul-coreana. Investigadores descobriram que a igreja havia violado leis japonesas ao pressionar membros a fazerem contribuições financeiras excessivas, resultando na ordem judicial para dissolução da organização.

A Igreja da Unificação, formalmente conhecida como Federação das Famílias para a Paz Mundial e Unificação, ganhou notoriedade nos anos 1980 por seus casamentos coletivos em massa. No entanto, seu envolvimento com políticos japoneses gerou um rastro de desconfiança pública contra o PLD. O ex-primeiro-ministro Fumio Kishida tomou medidas para romper vínculos com a seita após as revelações sobre suas interações com membros da igreja.

O resultado dessas investigações teve reflexos diretos nas urnas eleitorais; muitos eleitores optaram por partidos opositores, demonstrando uma clara insatisfação com o atual governo e suas associações controversas.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.