Após três anos, acusado confessa ter matado o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe
Em audiência no Japão, Tetsuya Yamagami confessa ter matado o ex-premiê Shinzo Abe, morto a tiros durante campanha em 2022

Tetsuya Yamagami, 45, o homem acusado de atirar fatalmente no ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, admitiu ter cometido o crime nesta terça-feira, 28. A confissão ocorreu durante a primeira audiência do caso, conforme informou a mídia local.
O ex-primeiro-ministro foi assassinado em 8 de julho de 2022, na cidade de Nara, durante um discurso eleitoral — um episódio que chocou a nação.
A arma utilizada no crime seria de fabricação caseira, confeccionada por Yamagami. O acusado foi detido no local logo após o disparo.
A confissão
Yamagami, que enfrenta acusações de homicídio e violação da Lei de Controle de Armas de Fogo e Espadas do Japão, confessou o crime dizendo: “É verdade que fui eu.”
Segundo informações da emissora pública NHK, o acusado parecia calmo e vestia moletom preto e calças cinzas, com o cabelo preso atrás.
A defesa de Yamagami solicitou posteriormente a redução da pena, alegando que o artefato artesanal utilizado no crime não se encaixa na categoria de armas descrita na legislação japonesa, conforme informou a NHK.
Repercussão internacional
O julgamento de grande repercussão começou no mesmo dia de uma reunião entre a cúpula de dois ex-aliados de Abe: a atual primeira-ministra Sanae Takaichi e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estava em visita ao país.
Ele era um grande amigo meu e um grande amigo seu”, disse Trump ao apertar a mão de Takaichi, primeira mulher premiê do Japão.
A relação entre Abe e Trump vem desde a vitória do republicano em 2016, quando o ex-primeiro-ministro do Japão foi o primeiro líder estrangeiro a se reunir com ele. Desde então, ambos mantiveram uma relação próxima, chegando a disputar partidas de golfe juntos, tanto nos Estados Unidos quanto no Japão.
Crenças e motivação
A motivação de Yamagami teria sido o apoio de Abe à Igreja da Unificação, uma organização religiosa fundada em 1954 na Coreia do Sul, conhecida por promover casamentos em massa.
A mãe de Yamagami havia doado cerca de 100 milhões de ienes (aproximadamente R$ 3,5 milhões) à instituição, o que levou a família à falência.
O réu afirma que o ataque teve motivação pessoal, e não política.
O tribunal agendou outras 17 sessões até o fim de 2025, mas o veredito final está previsto apenas para 21 de janeiro de 2026, conforme repercutido pela CNN Brasil.