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Reprodução sexuada pode ter surgido antes do que se pensava

Novo estudo encontrou fósseis no Canadá que indicam onde e como que a reprodução sexuada começou no mundo

Fotografia de órgão reprodutor de flor e fóssil com capacidade de realizar a reprodução sexual
Fotografia de órgão reprodutor de flor e fóssil com capacidade de realizar a reprodução sexual - Crédito: Getty Images e Divulgação/Scott D. Evans/Science Adavances

Recentemente, um grupo de paleontólogos começou a cavar as montanhas sedimentares Mackenzie, no Canadá, e encontraram um conjunto de fósseis de 567 milhões de anos. No entanto, o que chamou a atenção é que os fósseis podem indicar quando, onde e como a primeira reprodução sexuada ocorreu.

Assim, um estudo publicado na Science Advances, no dia 20 de maio, divulgou organismos capazes de reproduzir através da combinação de material genético, os famosos gametas. Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta que as grandes mudanças evolutivas podem ter começado em ambientes marinhos mais profundos.

A reprodução sexuada

Os fósseis achados são cerca de 5 a 10 milhões de anos mais antigos que os registros até hoje encontrados. Ou seja, possivelmente estamos chegando perto das verdadeiras origens da macrovida.

Conforme a pesquisa, o fóssil de um organismo tubular de corpo mole que vivia ancorado ao fundo do mar viveu durante o período Ediacarano e pertencia ao gênero Funisia sp. Similarmente a maioria dos organismos do começo do desenvolvimento dos microrganismos, seu formato é simples e não possui muitas funções no seu corpo.

No entanto, a sua habilidade de liberar espermatozoides e óvulos em colunas d’água de forma sincronizada configuram o primeiro resquício histórico da reprodução sexuada na natureza. Inclusive, tal método é mantido até hoje por corais, animais que em sua maioria também são aquáticos, tubulares e fixos ao substrato.

Contudo, o que vale destacar é que a reprodução sexuada provavelmente foi um dos principais avanços evolutivos da natureza em rumo a dominação do planeta. Conforme a revista Galileu, devido ao surgimento da vida na água, até o desenvolvimento da reprodução sexuada organismos de reprodução asexuada como clonagem e divisão celular dominavam o planeta.

Entretanto, a junção de material genético de dois seres diferentes fez com que a variabilidade biológica pudesse expandir suas capacidades e criar novas possibilidades evolutivas.

Sítio arqueológico e estudo

O Funisia sp., animal descoberto, preserva fósseis da vida ediacarana, momento em que os organismos pluricelulares se expandiram no período Cambriano. Atualmente, mais de 100 fósseis já foram encontrados.

Ao mesmo tempo, outros organismos já conhecidos foram reconhecidos, como a Dickinsonia, animal que se alimentava dos nutrientes do substrato do solo do oceano; a Kimberella, possível ancestral dos moluscos; a Eoandromeda, espécie suspeita de ser ascendente de algumas espécies de águas vivas.

De qualquer modo, os fósseis podem dar mais pistas sobre o momento que os organismos maiores surgiram e começaram a rastejar sobre o mundo. Scott Evans, autor principal do estudo e curador assistente de paleontologia de invertebrados do Museu Americano de História Natural, disse em comunicado:

Durante 3 bilhões de anos, a vida na Terra foi dominada por micróbios. Então, de repente, surgem esses animais marinhos de aparência estranha, grandes o suficiente para serem vistos e capazes de comportamentos que nos seriam familiares hoje em dia”.

No entanto, para além da idade esses vestígios da história podem revelar que talvez os primeiros avanços da natureza na pluralidade genética tenha vindo de regiões mais profundas do oceano.

Conforme a pesquisa, regiões profundas do oceano apresentariam condições mais favoráveis para o surgimento da vida. Uma vez que nas zonas mais baixas possuem menores variabilidade de calor, movimento e oxigênio. Evans destaca:

Nossos resultados sugerem um padrão em que a inovação evolutiva começa em ambientes mais profundos e depois se espalha em direção à costa”.

De qualquer modo, a região ainda pode apresentar muitas novidades. Mas necessita de mais escavações e estudos para poder revelar mais as origens evolutivas da vida.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: