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Astronautas podem ter dificuldades de reprodução no espaço

Estudo revela que microgravidade prejudica a fertilização o desenvolvimento embrionário dos astronautas

Imagem ilustrativa - Créditos: Getty Images

Com a análise de espermatozoides e óvulos em microgravidade simulada, cientistas descobriram que o ambiente prejudicou a navegação dos espermatozoides, a fertilização e o desenvolvimento embrionário de astronautas no espaço.

O estudo, feito com humanos, ratos e porcos, foi publicado na revista Communications Biology, nesta quinta-feira, 26,, detalhou que os espermatozoides ficaram desorientados, os embriões de porcos sofreram atrasos no desenvolvimento e os óvulos dos ratos tiveram menos fertilização, repercutiu a LiveScience.

Essa descoberta mostra grandes implicações para a construção de uma sociedade duradoura fora do ambiente terrestre.

Reprodução dos astronautas

Estudos anteriores mostraram que a microgravidade prejudica a produção de estrogênio e diminui a quantidade de espermatozoides em ratos. Apesar disso, o que ocorre em nível celular quando o espermatozoide e o óvulos flutuam na gravidade próxima de zero segue sendo uma incerteza.

Para conseguir simular a microgravidade, os cientistas usaram um dispositivo chamado clinostato. A pesquisadora que dirige o Grupo de Biologia de Espermatozoides e Embriões do Instituto de Pesquisa Robinson e autora sênior do estudo, Nicole McPherson, explicou sobre o clinostato: “Girando continuamente células ou amostras em múltiplas direções, essencialmente randomizando a direção da força gravitacional tão rapidamente que as células nunca têm a chance de se estabilizar ou se orientar”.

Os pesquisadores adicionaram espermatozoides humanos e de camundongos em pequenos labirintos, que imitam o trato reprodutivo feminino, no simulador espacial. Ambos tiveram o mesmo resultado: menos espermatozoides conseguiram navegar pelo labirinto.

McPherson explicou que muitas das proteínas encontradas nos espermatozoides atuam como mecanossensores, minúsculos dispositivos moleculares que detectam forças físicas. “Remova a força da gravidade e é lógico que esses sensores seriam afetados, prejudicando a capacidade do espermatozoide de se orientar e navegar”, completou.

Sob a gravidade terrestre, o sistema reprodutivo feminino libera progesterona após a ovulação para ajudar os espermatozoides a se orientarem até o óvulo, explicou McPherson. Na tentativa de aumentar as chances de os espermatozoides humanos chegarem no óvulo com a microgravidade, eles adicionaram esse hormônio no sistema.

A pesquisadora revelou que ajudou, mas que as concentrações necessárias para reproduzir o efeito eram muito maiores do que os que ocorriam naturalmente no trato reprodutivo feminino.

As altas doses poderiam ser administradas, mas ela alertou que é necessário realizar mais pesquisas antes que o hormônio seja prescrito para as viajantes espaciais.

Os pesquisadores também analisaram a fertilização e o desenvolvimento dos embriões em óvulos de camundongos e porcos. A taxa de fertilização bem-sucedida foi de 30% menos para óvulos de ratos e cerca de 15% menos para óvulos de porcos, comparada com a gravidade terrestre.

Seis dias após a inseminação, os embriões de porcos apresentaram sinais de atraso em seu desenvolvimento. “Após a fertilização, o embrião ainda precisa se implantar na parede uterina”, um processo que precisa da gravidade como guia, explicou McPherson.

Os resultados apresentam novos desafios para o futuro da colonização espacial, mas fornece aos cientistas uma melhor compreensão de como a gravidade afeta o desenvolvimento da vida.