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Finlândia cria santuário para lixo nuclear

Complexo Onkalo promete isolar materiais radioativos por até cem mil anos, garantindo a segurança das futuras gerações

Armazenamento definitivo de resíduos nucleares da Finlândia - Getty Images

A Finlândia está prestes a inaugurar um marco histórico na engenharia e na sustentabilidade global com o complexo Onkalo. 

Localizado na ilha de Olkiluoto, este é o primeiro repositório geológico profundo do mundo projetado para armazenar combustível nuclear usado de forma permanente. 

A instalação, cujo nome significa “pequena cavidade”, representa uma resposta tecnológica definitiva ao antigo desafio de lidar com resíduos radioativos de alto nível, garantindo a proteção da biosfera por milênios.

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Engenharia contra a radiação

Escavado em uma rocha de granito com quase dois bilhões de anos, o depósito situa-se a aproximadamente 450 metros abaixo da superfície. 

O sistema de isolamento é composto por múltiplas barreiras de segurança: os resíduos são encapsulados em recipientes de cobre com insertos de ferro, cercados por argila bentonítica que se expande ao contato com a umidade e protegidos pela estabilidade natural do leito rochoso. 

Esse método assegura que a radiação permaneça confinada, resistindo a fenômenos como atividades sísmicas ou futuras eras glaciais.

Cem mil anos de isolamento

O grande diferencial de Onkalo é o seu horizonte temporal sem precedentes. O complexo foi projetado para manter os materiais perigosos isolados por 100 mil anos, período necessário para que a radiotoxicidade diminua a níveis seguros. 

Com investimento superior a um bilhão de euros, a obra deve iniciar suas operações entre 2026 e 2027. 

Após cerca de um século de funcionamento, o túnel será selado com concreto, eliminando a necessidade de supervisão humana e tornando-se um “túmulo eterno” que já inspirou documentários internacionais.

Liderança em energia limpa

Essa iniciativa consolida a Finlândia como referência mundial na gestão de rejeitos, atraindo o interesse de potências como Estados Unidos e França. Atualmente, a energia nuclear supre cerca de um terço da demanda elétrica finlandesa.

Além do repositório profundo, o país inova com projetos de economia circular que incineram materiais de baixa radioatividade para gerar eletricidade e aquecimento urbano.

Ao integrar segurança máxima e inovação, os finlandeses apresentam uma solução sustentável para a transição energética global.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli