Um rinoceronte-branco-do-norte, conhecido como Atanasio, foi transferido em 2 de dezembro do zoológico localizado no Chile para São Paulo, onde passará a fazer parte de um programa internacional dedicado à conservação da espécie. A mudança foi necessária porque o animal não poderia se reproduzir adequadamente no Chile. O transporte foi realizado pela companhia aérea responsável pelo traslado de carga, adaptado para garantir o bem-estar do animal durante a viagem.
Atanasio é um dos poucos rinocerontes-brancos-do-norte mantidos em cativeiro na América Latina. Ele nasceu em zoológico e representa um esforço de conservação num momento em que essa subespécie enfrenta risco extremo — na natureza, a caça furtiva e a destruição de habitats têm dizimado populações inteiras. Estima-se que existam entre 17 mil e 19 mil rinocerontes-brancos no mundo, sendo pouco mais de setecentos mantidos em zoológicos. A transferência de Atanasio busca garantir melhores condições para sua sobrevivência e eventual participação em projetos voltados à preservação genética da espécie.
Retirada do Rinoceronte
O traslado exigiu planejamento cuidadoso, já que um rinoceronte adulto pesa cerca de duas toneladas. Equipes especializadas trabalharam para garantir conforto, segurança e cuidados veterinários durante todo o trajeto. Segundo os responsáveis, o bem-estar do animal foi prioridade máxima, seguindo padrões internacionais de transporte de animais de grande porte.
A ação representa uma tentativa concreta de contribuir com a conservação de uma espécie ameaçada. Com a crise enfrentada pelo rinoceronte-branco-do-norte — considerada “funcionalmente extinta” por especialistas, já que restam apenas duas fêmeas reprodutivas — iniciativas como esta são vitais para preservar o material genético, estudar a espécie e, quem sabe, colaborar com esforços de reprodução assistida ou de manutenção em cativeiro. A transferência de Atanasio para São Paulo reforça a importância de cooperação internacional entre zoológicos, centros de pesquisa e organizações de conservação quando se trata de espécies vulneráveis.
O caso também serve como alerta para a fragilidade da biodiversidade global e a urgência de políticas de preservação de espécies em risco. A expectativa é que a nova morada de Atanasio ofereça melhores condições de cuidado e estimule novos esforços para evitar que o rinoceronte-branco, símbolo da megafauna da África, desapareça de vez do planeta.