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Trump diz que bombardeios terrestres na América Latina começarão ‘muito em breve’

Em meio a tensão militar contra Nicolás Maduro, da Venezuela, o presidente americano Donald Trump disse que bombardeios terrestres na América Latina podem começar em breve

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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos / Crédito: Getty Images

Nesta terça-feira, 2 de novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que as forças americanas iniciarão bombardeios terrestres contra alvos relacionados ao narcotráfico na América Latina em um futuro próximo. A declaração marca uma intensificação nas ameaças de ação militar direta na região do Caribe, especialmente em meio ao aumento das tensões com o governo da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro.

Durante uma reunião de gabinete, Trump enfatizou que qualquer nação que se envolva no tráfico de drogas para os Estados Unidos poderá se tornar um alvo de ataques. “Eu quero que esses barcos sejam eliminados, e se preciso, vamos fazer ataques terrestres assim como fizemos no mar. […] Essas pessoas mataram mais de 200 mil pessoas [nos EUA] no ano passado, e esses números estão baixando. Estão baixando porque estamos fazendo os bombardeios [a barcos], e vamos começar a fazer esses ataques por terra também. Por terra é muito mais fácil, sabia? Sabemos as rotas que eles tomam, onde vivem, sabemos tudo sobre eles, e vamos começar isso muito em breve também”, declarou Trump.

Embora não tenha mencionado diretamente a Venezuela, o contexto de sua fala sugere uma resposta militar à atividade narcotraficante proveniente do país. Desde setembro, operações contra embarcações acusadas de transportar drogas resultaram na morte de mais de 80 pessoas, muitas das quais partiam de portos venezuelanos, apontando para a Venezuela como um foco central da estratégia militar do governo Trump.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal americano The Wall Street Journal, a administração Trump estaria avaliando a possibilidade de bombardear alvos militares dentro da Venezuela. O planejamento inclui locais estratégicos como portos e aeroportos controlados por militares venezuelanos, supostamente utilizados para facilitar o tráfico de entorpecentes.

Escalada na tensão

No final do mês passado, Trump já havia sinalizado a iminência de ofensivas terrestres contra a Venezuela, alegando que Maduro lidera um cartel de drogas conhecido como Cartel de Los Soles. Essa postura sugere uma escalada militar sem precedentes nas relações entre os dois países.

Em resposta às ações e declarações dos EUA, Maduro tem denunciado o uso do narcotráfico como justificativa para intervenções militares. Ele fez apelos públicos e privados a favor da paz e contra possíveis investidas militares americanas.

Trump defendeu suas ações afirmando que os ataques aos barcos têm sido eficazes na proteção dos cidadãos americanos. Ele esteve acompanhado pelo secretário da Guerra, Pete Hegseth, que também abordou a questão da segurança nacional, enfatizando a necessidade de eliminar a ameaça narcotraficante. Hegseth ressaltou: “Vamos eliminar essa ameaça, por mar ou terra, se necessário, e estamos orgulhosos em o fazer.”

Além disso, Trump reafirmou durante a reunião que qualquer país envolvido no tráfico direcionado aos Estados Unidos pode ser alvo de represálias. Ele criticou diretamente a Colômbia por supostamente manter fábricas de cocaína e alegou que muitos indivíduos associados ao tráfico estão enviando produtos ilícitos para o território americano.

Qualquer um que esteja fazendo isso e vendendo para dentro do nosso país está sujeito a ataque, não só a Venezuela”, afirmou Trump. “A Venezuela é muito ruim, provavelmente pior que a maioria, mas muita gente faz isso. Eles enviam assassinos para o nosso país”.

Vale mencionar que a maioria da cocaína que chega aos EUA provém da Colômbia, Peru e Bolívia, conforme indicado pelo Relatório Mundial sobre Drogas da ONU. Entretanto, o fentanil – opioide responsável por uma significativa porcentagem das overdoses nos últimos anos – é majoritariamente oriundo do México, repercute o g1.

A mobilização militar dos EUA no Caribe desde setembro é justificada pela necessidade de combater o tráfico internacional. Embora a Venezuela seja considerada uma das principais fontes da ameaça, a Colômbia também está sob escrutínio devido ao seu histórico relacionado ao narcotráfico.

Em uma recente troca de farpas nas redes sociais, Trump atacou o presidente colombiano Gustavo Petro, acusando-o de não fazer o suficiente para conter o tráfico. Em resposta, Petro convidou Trump a visitar a Colômbia para observar os esforços do país no combate à produção de cocaína e na destruição dos laboratórios envolvidos no processo. “Se algum país ajudou a impedir que milhares de toneladas de cocaína chegassem aos americanos, esse país é a Colômbia”, disse o colombiano.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.