Quadros do século 17 roubados por nazistas são retirados de leilão após denúncia

Obras que seriam leiloadas neste mês em Ohio haviam sido roubadas de uma família judia pelos nazistas

Pinturas a óleo de flores sobre cobre apreendidas durante a Segunda Guerra Mundial seriam de Ambrosius Bosschaert, um pintor holandês conhecido por florais - Crédito: Divulgação/Fundação Monuments Men and Women

Uma entidade sem fins lucrativos, focada na recuperação e preservação de obras de arte e patrimônios culturais europeus que foram saqueados durante a Segunda Guerra Mundial, anunciou a suspensão da venda de duas pinturas do século 17. Essas obras haviam sido roubadas de uma família judia pelos nazistas.

As pinturas, que retratam flores em óleo sobre cobre e são atribuídas ao renomado pintor holandês Ambrosius Bosschaert, estavam entre mais de 300 itens confiscados do colecionador Adolphe Schloss, um judeu alemão que se estabeleceu na França. As obras seriam leiloadas neste mês em Ohio, nos Estados Unidos.

A Monuments Men and Women Foundation, responsável por interromper a venda, detalhou que Schloss era conhecido por ter reunido uma coleção valiosa de mestres holandeses e flamengos. Essa coleção, que despertava a admiração de Hitler e outros líderes nazistas, foi confiscada em 1943 com a colaboração de agentes franceses.

Segundo o New York Times, as pinturas estavam originalmente destinadas ao museu que Hitler planejou construir em Linz, na Áustria. Contudo, segundo informações da fundação, elas foram furtadas do depósito do quartel-general nazista em Munique nos últimos dias do regime nazista.

A denúncia

A fonte destaca que a denúncia sobre a venda das obras chegou à fundação após a identificação das pinturas no Apple Tree Auction Center, localizado em Newark, Ohio. As telas possuíam marcas de inventário que indicavam sua origem como parte da coleção de Schloss, identificadas como “S 16” e “S 17” no verso das obras.

A casa de leilões recebeu essas peças junto com outros bens não reclamados provenientes de cofres. Imagens divulgadas pela fundação revelam os lances mais altos registrados nas plataformas online: US$ 3.250 e US$ 225.

Robert M. Edsel, presidente da Monuments Men and Women Foundation, fez uma viagem até Newark para se reunir com os responsáveis pela casa de leilões e verificar as obras pessoalmente. O leilão estava agendado para ser realizado até 12 de setembro; no entanto, após sua visita, as pinturas foram rapidamente retiradas do leilão público.

Edsel descreveu as pinturas como “belas imagens, semelhantes a joias”, expressando confiança de que realmente pertenciam à coleção de Schloss. Atualmente, as obras estão guardadas em um cofre da casa de leilões, à espera dos procedimentos para serem devolvidas aos herdeiros do colecionador.

“Este caso é mais um exemplo de como pessoas de boa vontade podem trabalhar juntas para corrigir os erros da Segunda Guerra Mundial, devolvendo obras de arte saqueadas aos seus legítimos donos”, comentou Edsel.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.