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Bule em formato de carneiro de 3.300 anos é encontrado em Israel

Escavações nas proximidades da antiga cidade de Armageddon, em Israel, revelaram jogo de chá cananeu e outras descobertas impressionantes

Jogo de chá do final da Idade do Bronze encontrado no local - Crédito: Divulgação/Katerina Katzan/IAA

Uma equipe de arqueólogos realizou uma série de descobertas importantes durante escavações nas proximidades da antiga cidade de Armageddon, em Israel. Entre os achados, que remontam a 3.300 anos, destacam-se um “jogo de chá” cananeu, um templo em miniatura e um dos mais antigos lagares de vinho conhecidos no mundo.

O jogo de chá é composto por um bule em forma de carneiro e pequenas tigelas, que foram enterrados juntos durante a Idade do Bronze Tardia. A cabeça do carneiro, moldada na bico do bule, teria sido posicionada de tal forma que o líquido pudesse ser derramado pela boca do animal.

De acordo com a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), “o recipiente parece ter sido feito para despejar um líquido valioso, como leite, óleo, vinho ou outra bebida, que poderia ser bebido diretamente da bica ou despejado em um recipiente menor para consumo ou como um presente votivo”, referindo-se a um objeto dado para fins sagrados ou religiosos.

Na antiga Canaã, animais como ovelhas, burros e cabras eram altamente valorizados. Evidências sugerem que, durante parte do Reino Antigo do Egito (cerca de 2649 a 2150 a.C.), alguns desses animais eram criados no Egito e posteriormente importados por Canaã, possivelmente para sacrifícios.

Acredita-se que os cananeus tenham enterrado o bule e as tigelas como ofertas rituais. As escavações ocorreram próximo a Megido, também conhecido como Armageddon, antes do início da construção de uma estrada no Vale de Jezreel.

Outras descobertas

Outras ofertas cultuais cananeias encontradas em pequenos buracos durante as escavações incluem jarros de armazenamento e jarras importadas de Chipre. Esses artefatos provavelmente foram enterrados por pessoas locais, como agricultores que não tinham acesso à cidade ou ao templo cananeu nas proximidades de Tel Megido. Em vez disso, podem ter optado por enterrar essas ofertas e possivelmente produtos agrícolas em uma formação rochosa que poderia ter servido como um altar ao ar livre.

O mini-templo encontrado, feito de cerâmica e também datado em 3.300 anos, é descrito por Amir Golani, um dos diretores das escavações da IAA no local: “Este é o aspecto que os verdadeiros templos na Idade do Bronze Tardia cananeia podem ter tido.”

A história da ocupação humana em Megido remonta aproximadamente a 7000 a.C., tendo sido palco de numerosas batalhas ao longo dos séculos. O Livro do Apocalipse menciona o local como Armageddon, prevendo que a batalha final no fim dos tempos ocorreria ali.

As escavações atuais revelaram artefatos de dois períodos distintos: um da Idade do Bronze Inicial (ou período cananeu inicial), há cerca de 5.000 anos, e outros da Idade do Bronze Tardia (ou período cananeu tardio), cerca de 3.300 anos atrás.

Os pesquisadores ressaltam que “Megido tem sido escavada por mais de um século”. Embora já fosse conhecida como um site importante para “urbanismo antigo e culto cananeu”, as novas escavações revelaram uma área inexplorada entre a antiga cidade e atividades realizadas nos arredores.

Um pequeno lagar

Uma descoberta surpreendente foi um pequeno lagar de produção de vinho datado em 5.000 anos atrás, considerado um dos mais antigos conhecidos mundialmente. O lagar foi esculpido na rocha e apresenta uma superfície inclinada onde as uvas eram pisadas antes de serem direcionadas a um recipiente coletor.

Golani e Barak Tzin, também diretor das escavações no local, destacaram em uma declaração conjunta: “Esta prensa de vinho é única, uma das poucas conhecidas de um período tão antigo quando a urbanização começou a ocorrer em nossa região. Até agora, evidências indiretas indicavam que o vinho poderia ter sido produzido há 5.000 anos, mas não tínhamos prova conclusiva disso — uma ‘arma fumegante’ que mostraria claramente quando isso aconteceu em nossa área.”

Além disso, a equipe encontrou várias construções residenciais ao redor do lagar, sugerindo que este tinha grande importância para a comunidade local.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.