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Richard Burton e Elizabeth Taylor: O casal que inflamou Hollywood

Entre escândalos, entrevistas explosivas e amor, a trajetória dos dois astros revela ambição, talento e temperamentos explosivos

Richard Burton e Elizabeth Taylor - Getty Images

Em 1966, no auge da fama, Richard Burton e Elizabeth Taylor surpreenderam Hollywood ao aceitar atuar gratuitamente em uma produção estudantil da Universidade de Oxford. A escolha provocou questionamentos sobre a suposta “traição” de Burton ao teatro. Durante uma entrevista à BBC, a tensão se instalou quando o crítico David Lewin insinuou que o ator teria abandonado os palcos.

Antes que Burton respondesse, Taylor explodiu. “Isso me deixa furiosa!”, interrompeu, defendendo o marido com veemência. Burton tentou acalmá-la, mas ela ignorou. “Como pode dizer que ele abandonou os palcos?”, rebateu, exaltada. A intensa troca de farpas virou espetáculo — algo frequente na vida do casal.

Ao lado deles estava Nevill Coghill, professor de Oxford e defensor do talento de Burton desde sua juventude. Mesmo diante do clima tenso, Lewin insistiu nas perguntas, provocando ainda mais irritação em Taylor. Para ela, o termo “vendido” era ofensivo. Burton, porém, manteve sua postura indiferente: “Não me importo se acham que me vendi”.

Da pobreza ao estrelato

A ascensão de Burton sempre pareceu maior que a vida. Nascido Richard Jenkins, em 1925, em uma vila mineira no País de Gales, ele era o 12º de 13 filhos. Órfão de mãe aos dois anos e criado pela irmã mais velha, destacou-se pela inteligência e pelo amor à atuação.

Seu mentor, o professor Philip Burton, percebeu o talento do jovem e o adotou legalmente aos 17 anos. A partir daí, Richard adotou o sobrenome que o tornaria mundialmente famoso.

O prodígio galês conquistou uma vaga em Oxford e, ainda estudante, já chamava atenção por sua criatividade, vida amorosa movimentada e talento natural para a bebida — traços que o acompanhariam para sempre. Nos palcos, sua carreira decolou rapidamente. Em apenas dois anos, ele já estrelava peças no West End e, logo depois, no Royal Shakespeare Theatre.

Com interpretações marcantes no Old Vic, Burton ganhou fama de “futuro maior ator de teatro da Inglaterra”.

Hollywood

Enquanto brilhava no teatro, Burton também conquistava espaço no cinema. Em 1952, recebeu sua primeira indicação ao Oscar. A segunda veio no ano seguinte. E, em 1961, ao aceitar atuar em “Cleópatra“, sua vida mudou para sempre.

No set em Roma, Burton conheceu Elizabeth Taylor, então casada com Eddie Fisher. O romance escandaloso incendiou a imprensa mundial. O jornal do Vaticano chegou a chamá-la de “vampira gananciosa que destrói famílias”.

Quando perguntado, anos depois, se sua carreira se dividia entre o “antes” e o “depois “de “Cleópatra”, Burton foi direto: “Minha vida foi transformada por uma mulher chamada Elizabeth Taylor”.

Casados em 1964, viveram um conto de fadas regado a exageros: joias milionárias, aviões particulares, iates e manchetes intermináveis. Ao mesmo tempo, surgiam críticas de que Burton havia desperdiçado seu potencial no teatro. Ele discordava. Para ele, o cinema exigia técnica, contenção e precisão — ensinamentos que dizia ter aprendido com Taylor, a quem chamava de “a melhor atriz de cinema do mundo”.

Amor difícil de abandonar

As brigas e reconciliações do casal eram tão famosas quanto seus filmes. Nos bastidores, Burton registrava tudo em seus diários, publicados décadas depois. Sobre a entrevista em Oxford, ele descreveu Lewin como “tolo e vergonhoso”, enquanto relatava a fúria de Taylor: “Ela o atacou com todas as forças”.

Burton também admitiu que ambos tinham temperamentos fortes. “Jamais deveríamos nos separar”, disse ele certa vez. Mas a convivência era intensa demais. Em 1974, o casamento ruiu.

Dezoito meses depois, contudo, eles se casaram de novo. E, quatro meses depois, se divorciaram — outra vez.

Mesmo separados, Burton e Taylor continuaram gravitando um ao redor do outro. Em 1983, dividiram o palco da Broadway em Private Lives. A química seguia intacta, mesmo que a vida amorosa não sobrevivesse mais uma tentativa.

Durante essa temporada, Burton casou-se com sua quarta esposa, Sally Hay. Taylor ainda se casaria mais uma vez, em 1991, com Larry Fortensky, de quem se divorciou em 1996. Ela morreu em 2012, aos 79 anos.

Burton, por sua vez, viveu seus últimos anos na Suíça com Sally. Em 1984, após reclamar de dor de cabeça, foi dormir e nunca mais acordou. Morreu aos 58 anos, deixando para trás um legado de talento monumental — e uma história de amor tão turbulenta quanto inesquecível.

A trajetória de Burton e Taylor mistura paixão, arte, excessos e fama global. Juntos ou separados, marcaram a história do cinema e transformaram suas vidas em um espetáculo à parte. Hoje, continuam sendo lembrados como o casal que viveu intensamente — no palco, nas telas e fora delas.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli