Brasil x Noruega: o único rival que a seleção nunca venceu
Neste domingo, Brasil e Noruega se enfrentam nas oitavas de final da Copa do Mundo; veja o retrospecto de confrontos entre os dois países

A Seleção Brasileira entra em campo na tarde deste domingo, 5 de julho, às 17h (horário de Brasília), para enfrentar a Noruega em partida eliminatória pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
O confronto decisivo, que terá como palco o MetLife Stadium, em Nova Jersey, carrega um peso histórico que vai além da vaga nas quartas de final do torneio: a equipe comandada por Carlo Ancelotti precisa quebrar um tabu inédito e exclusivo no futebol mundial. Isso porque a Noruega ostenta a marca de ser a única seleção do planeta que enfrentou o Brasil em mais de uma oportunidade e jamais sofreu uma derrota.
O adversário europeu garantiu a vaga para enfrentar o Brasil após vencer a Costa do Marfim por 2 a 1, com gols anotados por Antonio Nusa e Erling Haaland, que vem se destacando como um dos maiores artilheiros da edição. Agora, o retrospecto de quatro partidas oficiais entre as duas nações — composto por dois empates e duas derrotas brasileiras — ganha o centro das atenções no planejamento técnico da comissão nacional para o duelo de hoje.
Primeiros confrontos
O primeiro registro do embate entre brasileiros e noruegueses ocorreu em 27 de julho de 1988, em um amistoso disputado em Oslo. Naquela ocasião, o Brasil, que iniciava o ciclo de preparação para a Copa do Mundo de 1990 sob o comando de Carlos Alberto Silva, saiu atrás no placar com um gol de Jan Åge Fjørtoft, mas buscou o empate por 1 a 1 com um gol do atacante Romário.
Quase uma década depois, em 29 de maio de 1997, as equipes se reencontraram no mesmo estádio Ullevaal, em Oslo, para um novo amistoso. Sob a direção de Mário Jorge Lobo Zagallo, a Seleção Brasileira sofreu um revés contundente por 4 a 2. Romário e Djalminha balançaram as redes para o Brasil, mas a forte equipe nórdica superou a defesa brasileira com gols de Petter Rudi, Tore André Flo (duas vezes) e Egil Østenstad, consolidando a fama de adversário indigesto.
Copa de 1998 na França
O capítulo mais marcante e doloroso desse retrospecto ocorreu no dia 23 de junho de 1998, durante a fase de grupos da Copa do Mundo da França. Já classificado em primeiro lugar no Grupo A, o Brasil poupou alguns titulares, mas ainda entrou em campo com estrelas como Ronaldo e Rivaldo. O atacante Bebeto abriu o placar para o Brasil só no segundo tempo, cabeceando após cruzamento de Denílson.
No entanto, a reação norueguesa nos minutos finais da partida surpreendeu o Estádio Vélodrome, em Marselha. O centroavante Tore André Flo empatou o jogo após vencer a marcação de Júnior Baiano. Pouco depois, em um lance polêmico na grande área, o árbitro assinalou pênalti de Júnior Baiano em Flo.

O meio-campista Kjetil Rekdal converteu a cobrança, garantindo a vitória histórica da Noruega por 2 a 1 e a classificação do país europeu para as oitavas de final daquela edição. Apesar da derrota, o Brasil seguiu na liderança da chave e avançou até a final do torneio — em que a França derrotou o Brasil por 3 a 0.
Último encontro e outros rivais
O quarto e mais recente duelo ocorreu em 16 de agosto de 2006, marcando o início do ciclo para o Mundial de 2010. Apenas um mês e meio após a eliminação da equipe na Copa da Alemanha diante da França, o Brasil, sob a liderança interina do técnico Dunga, viajou a Oslo para um amistoso. O jogo terminou empatado em 1 a 1; Morten Gamst Pedersen abriu o placar para os donos da casa em cobrança de falta, e o meia Daniel Carvalho empatou para o time brasileiro.
Vale destacar ainda que, na história do futebol brasileiro, existem outras nações que impuseram dificuldades em Copas do Mundo e mantêm invencibilidade contra a Seleção especificamente em edições de Mundiais, como a Hungria (vitórias em 1954 e 1966) e Portugal (vitória em 1966 e empate em 2010). No entanto, ambas as federações europeias já foram derrotadas pelo Brasil em confrontos amistosos ou em outros torneios oficiais.
Situação semelhante também ocorria com a seleção de Senegal — que perdeu recentemente para a Bélgica, em uma das partidas mais intensas desta edição da Copa do Mundo até o momento —, que até recentemente ostentava invencibilidade contra o Brasil após um empate em 2019 e um triunfo em 2023, de acordo com a ESPN.
Essa marca africana, contudo, foi encerrada em um amistoso realizado em 2025, deixando a Noruega isolada como a única pedra no sapato invicta da história do futebol pentacampeão.
Próximo desafio
Historicamente, a dificuldade da Seleção Brasileira diante da Noruega esteve atrelada ao choque de estilos de jogo. Durante as décadas de 1980 e 1990, o futebol norueguês caracterizou-se por forte marcação defensiva, compactação física e uso intensivo de jogadas aéreas — características que frequentemente neutralizavam a habilidade e a velocidade dos atletas brasileiros.
Na partida de hoje, o cenário apresenta-se renovado. A atual geração norueguesa combina a tradicional força física com o talento técnico de atletas que atuam nas principais ligas da Europa. Caberá ao elenco brasileiro superar o retrospecto desfavorável e garantir a vitória inédita para avançar no torneio internacional.