Frida Kahlo: a mexicana que se tornou um dos maiores ícones da arte do século 20
Nascida em 6 de julho de 1907, Frida Kahlo passou por momentos dramáticos e se tornou um dos grandes nomes da arte mundial

Nascida em 6 de julho de 1907, Frida Kahlo foi uma das mais importantes artistas da história. Mexicana e natural de Coyoacán, a pintora conhecida por seus autorretratos marcantes era a terceira de quatro filhas do casal Guillermo Kahlo e Matilde Calderón. Além disso, sua vida coincidiu com um período de profundas transformações no México. Embora tenha nascido três anos antes da Revolução Mexicana, Frida costumava afirmar que veio ao mundo junto com o movimento revolucionário.
A infância da artista foi marcada por desafios. Aos seis anos, ela contraiu poliomielite, doença que comprometeu o pleno desenvolvimento de sua perna direita, deixando-a mais curta e fina do que a esquerda. Apesar da condição, Frida seguiu sendo uma criança ativa. Incentivada pelo pai, praticava esportes e realizava exercícios para fortalecer a perna afetada. Ela também se destacou, desde cedo, por sua personalidade vibrante e gosto pelo conhecimento. No início, porém, seu grande sonho era ser médica, não artista. Para isso, ingressou na Escola Nacional Preparatória, uma das instituições mais prestigiadas do México.
Naquela época, poucas mulheres tinham acesso ao ensino superior, e Frida estava entre apenas 35 alunas em um universo de cerca de dois mil estudantes homens. Durante esse período, também ajudava a complementar a renda da família, trabalhando em uma madeireira e colaborando no estúdio fotográfico do pai, onde aprendeu técnicas de retoque e coloração de fotografias.
Na escola, integrou o grupo estudantil conhecido como “Los Cachuchas”, formado por jovens interessados em literatura, política e debates sociais. O grupo possuía inclinações de esquerda e exerceu grande influência sobre sua formação intelectual.

Dedicação à arte
Em 1925, um acontecimento dramático mudaria a vida de Frida. Naquele ano, um bonde colidiu violentamente com o ônibus em que ela viajava. Conforme informações do National Geographic, o acidente provocou ferimentos gravíssimos: sua pelve foi perfurada e ela sofreu múltiplas fraturas na coluna, na clavícula, nas costelas e em uma das pernas. O longo período de recuperação a obrigou a permanecer meses acamada. Foi nesse contexto que começou a pintar. Com um espelho instalado sobre a cama, passou a produzir autorretratos. Mais tarde vieram também os quadros de natureza-morta.
A arte permitiu que Frida explorasse temas que vão do nacionalismo a questões femininas. Embora frequentemente associada ao surrealismo, ela rejeitava essa classificação: dizia que não pintava sonhos, mas a própria realidade. Entre suas obras mais conhecidas estão “As Duas Fridas”, “Viva la Vida”, “Diego e Eu”, “Meu Nascimento” e “Autorretrato na Fronteira entre México e Estados Unidos”.
Frida e a Casa Azul
A artista se casou, em 1929, com o muralista mexicano Diego Rivera, com quem viveu uma relação intensa e tumultuada. O casal morou na famosa Casa Azul, em Coyoacán, que mais tarde seria transformada no Museu Frida Kahlo.
Ao longo da carreira, Frida participou de exposições internacionais e recebeu o Prêmio Nacional de Pintura do México. Além de se dedicar ao seu trabalho como artista, a mexicana foi também professora na Escola Nacional de Pintura e Escultura La Esmeralda. Ela morreu por embolia pulmonar em 13 de julho de 1954, aos 47 anos. Dias antes, pintou sua última tela, uma natureza-morta composta por melancias, e escreveu a icônica frase: “Viva la Vida”.