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Maradona previu a Copa de 2026? Entenda a ‘profecia’ dos 4 tempos

Dois anos antes de morrer, o ídolo do futebol argentino Diego Maradona criticou e até 'profetizou' sobre a organização da Copa do Mundo de 2026

Maradona durante entrevista à Telesur em 2018 / Crédito: Reprodução/vídeo/YouTube/@telesurenglish

Recentemente, uma entrevista concedida por Diego Armando Maradona voltou a circular com grande força e viralizar nas plataformas digitais. O conteúdo, registrado originalmente em 2018, ganhou contornos de previsão aos olhos dos torcedores e analistas de futebol da atualidade.

Nas declarações feitas dois anos antes de seu falecimento, ocorrido em 2020, o eterno ídolo do futebol argentino manifestou forte descontentamento com a escolha da sede tripla para o Mundial de 2026, composto por Canadá, México e Estados Unidos, e antecipou dinâmicas comerciais que acabaram se concretizando no atual torneio de 2026.

As projeções do ex-jogador chamaram a atenção do público por apontar, na época, uma tendência de fragmentação do tempo regulamentar das partidas para atender aos interesses do mercado publicitário, repercute o GE. Na entrevista concedida à emissora venezuelana Telesur, Maradona foi categórico ao avaliar o perfil dos países escolhidos pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) e as possíveis mudanças estruturais nos confrontos:

“Não há paixão. Os canadenses talvez sejam bons esquiadores, e os americanos queriam ter quatro períodos de 25 (minutos) para as propagandas. Eu não gostei disso. Quem sai ganhando é o México, quando o México não merece. O México ganha dois jogos e vai embora. Vimos na Alemanha, no Brasil”, disse Maradona, em entrevista à rede Telesur, da Venezuela.

Maradona durante entrevista à Telesur em 2018 / Crédito: Reprodução/vídeo/YouTube/@telesurenglish

“Quatro tempos” e as paradas de hidratação

O aspecto mais comentado da antiga declaração do craque diz respeito à divisão informal dos jogos em quatro períodos. Embora o tempo oficial de jogo continue fixado nas duas etapas tradicionais de 45 minutos, a dinâmica das partidas da Copa do Mundo de 2026 passou a contar com interrupções obrigatórias que alteraram o ritmo dos confrontos, assemelhando-se ao cenário previsto pelo craque argentino.

A FIFA incluiu nas diretrizes e regulamentos oficiais da atual competição a obrigatoriedade de pausas técnicas em todas as partidas. De acordo com a determinação da entidade máxima do esporte, cada etapa de um jogo do Mundial sofre uma paralisação programada de três minutos, voltada para o descanso e a reidratação dos atletas. Essa interrupção ocorre de forma padronizada, geralmente entre os minutos 22 e 25 de cada tempo de jogo.

Diferentemente de edições passadas, em que as paradas dependiam de análises em tempo real sobre o estresse térmico enfrentado pelos jogadores no gramado, a regra atual é aplicada de maneira fixa e universal. A pausa obrigatória acontece mesmo em arenas esportivas modernas que dispõem de tetos retráteis ou sistemas avançados de climatização, onde os atletas não sofrem de forma direta com o desgaste decorrente do calor severo ou da alta umidade.

A decisão de adotar a medida em todos os compromissos do torneio foi oficializada pela entidade organizadora em dezembro de 2025. Em nota pública emitida no período, a federação argumentou que a iniciativa visava preservar o bem-estar físico das equipes e “dar as melhores condições para todos os jogadores, dada as experiências passadas com outros torneios, incluindo a recente Copa do Mundo de Clubes também disputada nos Estados Unidos”.

Jogadores da Espanha durante pausa para hidratação em partida contra o Cabo Verde / Crédito: Getty Images

Nova estrutura logística de 2026

A atual edição da Copa do Mundo se destaca historicamente não apenas pelas pausas técnicas, mas por uma reformulação completa em sua estrutura, sendo a maior e mais complexa já realizada.

O torneio de 2026 marca a estreia do modelo de expansão de participantes, saltando das tradicionais 32 seleções para um total de 48 países disputando o título. Esse acréscimo elevou o número total de partidas de 64 para 104 confrontos, distribuídos ao longo de um calendário estendido.

A magnitude geográfica também impôs desafios sem precedentes. Pela primeira vez na história dos Mundiais, três nações dividem a organização dos jogos simultaneamente. A distribuição das 16 cidades-sedes ao longo de três territórios de dimensões continentais demandou um planejamento de zoneamento regional, dividindo as equipes em grupos nas costas Leste, Central e Oeste para tentar atenuar o desgaste com longos deslocamentos aéreos e constantes mudanças de fusos horários.

A introdução das paradas obrigatórias de três minutos em meio a essa engrenagem complexa gerou uma série de debates entre profissionais do esporte. Diversos treinadores, atletas e veículos de imprensa têm manifestado opiniões divergentes sobre o impacto prático da medida.

Enquanto alguns setores defendem o intervalo como uma ferramenta necessária para manter o alto rendimento e a integridade física dos jogadores diante de um calendário congestionado, críticos argumentam que as interrupções frequentes quebram o ritmo natural e a intensidade tática das partidas, além de abrirem brechas para uma maior exploração comercial e inserção de anúncios durante as transmissões televisivas — exatamente como Diego Maradona apontou há oito anos.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.