Herdeiros no futebol: os ‘nepo babies’ que jogam na Copa do Mundo
Após a vitória da Argentina sobre a Argélia de Luca Zidane, conheça os jogadores herdeiros que resgatam sobrenomes históricos no Mundial

A primeira fase da Copa do Mundo de 2026 segue registrando momentos marcantes nos gramados da América do Norte. Na terça-feira, 16 de junho, a seleção da Argentina derrotou a equipe da Argélia pelo placar de 3 a 0, em uma partida que concentrou as atenções devido com três gols anotados pelo atacante Lionel Messi.
Contudo, outro aspecto do confronto atraiu o interesse do público e dos analistas esportivos: a presença do goleiro Luca Zidane defendendo a meta da seleção argelina. Filho do lendário meio-campista francês Zinédine Zidane, o arqueiro é um dos muitos exemplos de atletas no atual Mundial que carregam sobrenomes amplamente conhecidos na história do futebol.
O cenário mapeado no torneio de 2026 consolida o avanço da geração de “nepo babies” no esporte profissional, termo utilizado contemporaneamente para qualificar filhos de personalidades públicas que optam por seguir carreiras análogas às de seus progenitores. Nos gramados dos Estados Unidos, México e Canadá, diversos jogadores buscam estruturar suas próprias trajetórias esportivas ao mesmo tempo em que reintroduzem no principal torneio de seleções do planeta memórias de edições anteriores da competição.
Defensores

A composição de uma equipe estruturada estritamente a partir desses laços familiares começa pela meta e se estende por uma linha de três defensores. O posto de goleiro pertence a Luca Zidane, nascido no ano de 1998, período em que seu pai liderou a seleção da França na conquista de seu primeiro título mundial, anotando dois gols na decisão contra o Brasil. Atualmente, o atleta representa as cores da Argélia no torneio.
Na linha de zaga, diferentes origens e contextos geográficos se misturam. A seleção da Coreia do Sul conta com Lee Tae-Seok, cujo pai, Lee Eul-Young, fez parte do elenco histórico sul-coreano que alcançou a fase semifinal na Copa do Mundo de 2002. No setor defensivo da seleção de Senegal, Mamadou Sarr atua com a referência de seu pai, Pape Sarr, que integrou a equipe africana responsável por surpreender o cenário internacional ao eliminar os franceses na rodada de abertura do Mundial de 2002.
O trio de defensores é completado pelo neozelandês Tyler Bindon. Aos 21 anos, o zagueiro estabeleceu uma marca familiar singular ao lado de sua mãe, Jenny Bindon. Eles se tornaram a primeira dupla composta por mãe e filho a participar de edições de Copas do Mundo chanceladas pela FIFA, uma vez que a progenitora atuou como goleira titular da seleção feminina da Nova Zelândia nos Mundiais de 2007 e 2011.
Meio-campo

O setor de meio-campo do atual torneio apresenta uma forte concentração de linhagens tradicionais do futebol sul-americano e europeu. A Argentina conta com dois representantes diretos nessa condição. Giuliano Simeone atua no elenco portando o sobrenome de seu pai, Diego Simeone, profissional que representou o país sul-americano em três Copas do Mundo e ficou marcado, na edição de 1998, pelo confronto que resultou na expulsão do atleta britânico David Beckham nas quartas de final. Ainda na equipe argentina, Nico Paz replica a caminhada de Pablo Paz, zagueiro convocado para o Mundial de 1998.
Na seleção da Noruega, o meio-campista Kristian Thorstvedt tem a oportunidade de atuar em uma Copa do Mundo sediada no mesmo território em que seu pai, o ex-goleiro Erik Thorstvedt, jogou como titular durante a edição de 1994. O quadrante intermediário é fechado por Damian Bobadilla, atleta paraguaio que atua no futebol brasileiro pelo São Paulo e é filho de Aldo Bobadilla, goleiro que fez parte das comitivas oficiais do Paraguai nas Copas de 2006 e 2010.
Atacantes

No setor de ataque, encontram-se alguns dos nomes de maior projeção do futebol contemporâneo. A seleção da França apresenta Marcus Thuram, filho de Lilian Thuram, defensor que se estabeleceu como um dos principais símbolos do título francês de 1998 e que esteve presente nas edições de 2002 e 2006. Pela Holanda, Justin Kluivert dá continuidade ao legado familiar de seu pai, o atacante Patrick Kluivert, responsável por anotar um gol contra o Brasil na semifinal do torneio de 1998.
A principal referência técnica desta vertente ofensiva é o centroavante norueguês Erling Haaland. O jogador ainda não havia nascido quando seu pai, Alf-Inge Haaland, participou dos jogos da Copa do Mundo de 1994, sediada justamente nos Estados Unidos.
Outros parentescos
As conexões consanguíneas identificadas na Copa do Mundo de 2026 não se limitam exclusivamente às relações entre pais e filhos. O meio-campista Marcos Llorente integra o elenco da Espanha sendo sobrinho-neto de Francisco Gento, um dos principais nomes da história do Real Madrid e atleta da seleção espanhola em duas edições do torneio da FIFA. Pela Tunísia, Rani Khedira carrega a bagagem de ser o irmão mais novo de Sami Khedira, volante que se sagrou campeão do mundo pela Alemanha no torneio de 2014.
Existem ainda registros de atletas cujos pais foram figuras centrais de suas gerações, embora nunca tenham disputado uma partida de Copa do Mundo. É o caso de Jordan Ayew, cujo pai, Abedi Pelé, jamais esteve em um Mundial. O panorama se repete com Timothy Weah, atacante dos Estados Unidos e filho de George Weah, profissional laureado com o prêmio Bola de Ouro que não teve a chance de conduzir a Libéria ao torneio internacional.
A lista de atletas com parentesco direto em Mundiais estende-se por várias federações nesta edição. O goleiro da Escócia, Angus Gunn, é filho de Brian Gunn, arqueiro da seleção no Mundial de 1990, ocasião em que enfrentou o Brasil em uma derrota por 1 a 0. No selecionado da Noruega, o atacante Alexander Sørloth soma-se a Haaland e Thorstvedt como herdeiro de Copa, sendo filho de Gøran Sørloth, que competiu no certame de 1994, repercute a CNN Brasil.
Em Portugal, Francisco Conceição integra o setor ofensivo como filho de Sérgio Conceição, que defendeu a equipe lusitana na Copa de 2002. Pelos Estados Unidos, Giovanni Reyna repete a trajetória de Claudio Reyna, que exerceu a função de capitão da equipe norte-americana em quatro edições do evento.
Por fim, também na equipe dos Estados Unidos, Sebastian Berhalter vivencia uma dinâmica distinta: seu pai, Gregg Berhalter, participou de Copas do Mundo na condição de jogador de futebol antes de assumir o cargo de treinador da seleção nacional. Desse modo, o torneio de 2026 cumpre o papel de aproximar diferentes épocas do esporte, recolocando sobrenomes históricos sob a responsabilidade de novos titulares.