Falhas de projeto e cultura da empresa explicam implosão do Titan
Autoridades do Canadá identificam defeitos estruturais no casco de fibra de carbono e criticam a ausência de testes no submersível Titan

O Conselho de Segurança de Transporte do Canadá (TSB) divulgou nesta quarta-feira (17) um relatório contundente sobre a viagem final do submersível Titan. O documento revela que a empresa OceanGate falhou ao ignorar riscos profundos em sua embarcação experimental, movida por um ambiente de “pensamento de grupo” e “viés de confirmação”.
De acordo com o TSB, defeitos estruturais no casco e a falta de fiscalização externa foram determinantes para a implosão que matou os cinco ocupantes em junho de 2023.
Defeitos no casco do Titan
O relatório técnico aponta que o cilindro de fibra de carbono do Titan acumulava danos microscópicos a cada mergulho. Os inspetores examinaram sobras do material usado na construção e encontraram ondulações nas camadas que enfraqueciam a estrutura de forma drástica sob pressão extrema.
“A construção e os testes do Titan não seguiram as práticas padrão de engenharia”, afirmam as autoridades no documento oficial. Além disso, o submersível havia sofrido danos em missões anteriores, incluindo uma colisão com o Titanic em 2022 e estalos audíveis ignorados pela gerência.
Cultura interna tóxica
Além dos problemas físicos, o TSB destacou que a governança da OceanGate desencorajava alertas de segurança. Especialistas e funcionários que expressavam preocupações eram frequentemente demitidos ou marginalizados pelo CEO da empresa, Stockton Rush.
O relatório indica que a crença de que o projeto era inovador cegou a diretoria para perigos óbvios. O sistema de monitoramento acústico, que deveria avisar sobre falhas iminentes, não havia sido validado e falhou no momento crítico.
Vítimas
A tragédia resultou na morte instantânea de Stockton Rush, do especialista francês Paul-Henri Nargeolet, do empresário britânico Hamish Harding e dos paquistaneses Shahzada Dawood e seu filho Suleman Dawood. O presidente do TSB, Yoan Marier, ressaltou que a falta de regulamentação internacional para submersíveis permitiu que o Titan operasse sem vigilância.
Conforme informações do veículo The Guardian, o caso serve como um alerta global para a necessidade de maior fiscalização em setores de exploração comercial extrema, em que a inovação não pode atropelar a segurança básica.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes