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Defesa de Luigi Mangione alegará transtorno psiquiátrico

Advogados afirmam que Luigi Mangione agiu sob perturbação emocional extrema e tentam reduzir sua responsabilidade criminal

Luigi Mangione, que assassinou CEO de plano de saúde - Getty Images

A defesa de Luigi Mangione informou que pretende utilizar uma estratégia baseada em questões psiquiátricas durante o julgamento estadual que analisará as acusações de homicídio contra o jovem de 28 anos em Nova York. A revelação foi feita durante uma nova audiência realizada nesta semana.

Segundo os advogados, a tese será sustentada pela alegação de que Mangione agiu sob uma condição descrita como “perturbação emocional extrema” no momento do crime. Esse tipo de defesa não nega a prática do ato, mas busca reduzir a responsabilidade criminal do acusado ao argumentar que ele não estava em condições emocionais normais quando os fatos ocorreram.

Durante a audiência, o juiz Gregory Carro afirmou que pretende retirar o sigilo de documentos relacionados a essa linha de defesa. De acordo com o magistrado, os registros haviam permanecido protegidos a pedido dos advogados para evitar possíveis prejuízos ao réu caso a estratégia não fosse utilizada no processo.

O juiz também determinou que a defesa entregue até o dia seguinte informações detalhadas sobre a tese, incluindo a identificação do especialista psiquiátrico que participará do caso. Segundo Carro, os promotores precisam ter acesso aos argumentos que serão apresentados para evitar surpresas durante o julgamento.

Juiz cobra informações da defesa

Durante a audiência, os promotores acusaram a defesa de dificultar o acesso às informações relacionadas à estratégia psiquiátrica. O juiz alertou que novos atrasos podem resultar na impossibilidade de utilizar essa linha de argumentação durante o julgamento.

Mangione se declarou inocente das acusações de homicídio e porte ilegal de arma relacionadas ao caso. Caso seja condenado e a defesa consiga demonstrar que ele não estava em pleno uso de suas faculdades mentais no momento do crime, existe a possibilidade de que ele seja encaminhado para uma instituição psiquiátrica em vez de cumprir pena em uma prisão.

Além das acusações estaduais, o réu também se declarou inocente de acusações federais de perseguição. A próxima audiência do caso está prevista para agosto e deverá ocorrer de forma virtual.

Crime de Luigi Mangione

Brian Thompson, CEO assassinado da UnitedHealth Group – Imagem: Divulgação/UnitedHealth Group

O caso teve início em 4 de dezembro de 2024. Segundo as acusações, Luigi Mangione matou a tiros Brian Thompson, então diretor-executivo da UnitedHealthcare.

O executivo estava em frente ao hotel Hilton de Midtown, onde participaria de uma conferência de investidores. Thompson foi atingido pouco antes das 7h da manhã. Apesar das tentativas de reanimação e do transporte para um hospital, sua morte foi confirmada posteriormente.

Mangione foi preso cinco dias depois, no estado da Pensilvânia.

As autoridades acreditam que o crime tenha sido motivado por uma suposta revolta do acusado contra a indústria de planos de saúde dos Estados Unidos. De acordo com a investigação, um manifesto atribuído a Mangione classificava os responsáveis pelos planos de saúde como “parasitas”. Além disso, as balas utilizadas no crime continham as palavras “negar” e “atrasar”, em referência a práticas atribuídas às seguradoras para evitar pagamentos aos clientes.

Mesmo após a prisão, Mangione passou a reunir apoiadores que enxergam seu caso como uma forma de protesto contra o sistema de saúde americano. Segundo relatos, alguns simpatizantes comparecem às audiências usando camisetas com a frase “Libertem Luigi” e carregando cartazes em apoio ao acusado.

A vítima, Brian Thompson, comandava a UnitedHealthcare, divisão da UnitedHealth Group responsável pela administração de produtos de saúde, incluindo programas como Medicare e Medicaid. A empresa registrou faturamento de US$ 100 bilhões no terceiro trimestre de 2024.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes