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Tempestade solar ‘canibal’ pode gerar auroras boreais em 18 estados dos EUA

Forte tempestade geomagnética deve atingir a Terra ainda nessa semana, e pode iluminar os céus com auroras brilhantes em grandes áreas da América do Norte

Fotografia de aurora boreal / Crédito: Getty Images

Especialistas em clima espacial alertam que uma tempestade geomagnética “forte” afetará a Terra entre os dias 1 e 2 de setembro, trazendo a possibilidade de auroras vibrantes visíveis em grandes áreas da América do Norte. Esse fenômeno é resultado de uma rara ejeção solar, conhecida como ejeção canibal.

Uma “tempestade solar canibal” se prepara para impactar o campo magnético da Terra, possibilitando que auroras possam ser vistas em até 18 estados americanos, coincidentemente, durante o feriado do Dia do Trabalho.

No sábado, dia 30 de agosto, a mancha solar 4204, situada próximo ao equador solar, liberou uma explosão solar de longa duração da classe M — a segunda mais poderosa que o Sol pode gerar. A erupção de magnitude M2.7 ocorreu por mais de três horas e também expulsou uma nuvem rápida de plasma magnetizado, conhecida como ejeção de massa coronal (CME). De acordo com o Solar and Heliospheric Observatory (SOHO) da NASA, essa nuvem estava “direcionada diretamente para a Terra”, conforme relatado pelo Spaceweather.com.

Menos de 24 horas depois, análises adicionais revelaram que a tempestade solar dirigida à Terra consistia na união de duas CMEs que foram ejetadas em sequência durante a erupção. A especialista em clima espacial e previsora Tabitha Skov comunicou através da plataforma X que a segunda e maior nuvem de plasma havia alcançado e consumido a primeira, formando uma massa maior e mais caótica, chamada CME canibal. Essa nova formação deve atingir o campo magnético da Terra a partir do dia 1 de setembro.

Quando as tempestades solares unidas chegarem ao nosso planeta, o impacto resultante irá temporariamente perturbar o escudo protetor da Terra. Isso permitirá que partículas carregadas penetrem profundamente na atmosfera, onde podem excitar moléculas gasosas e dar origem às auroras boreais.

A previsão indica que essa perturbação geomagnética pode alcançar uma classificação G2 (moderada), podendo até escalar para G3 (forte) em seu pico, conforme apontado por um recente relatório do Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

Céu noturno iluminado por aurora boreal / Crédito: Getty Images

Auroras boreais

As auroras devem ser visíveis bem mais ao sul do que o habitual nos Estados Unidos, abrangendo potencialmente até 18 estados. Entre eles estão Alasca, Montana, Dakota do Norte, Minnesota, Wisconsin, Michigan, Maine, Dakota do Sul, Vermont, New Hampshire, Idaho, Washington, Oregon, Nova York, Wyoming, Iowa, Nebraska e Illinois, segundo informações do site Space.com.

As melhores oportunidades para visualizar as auroras ocorrerão nas primeiras horas do dia 2 de setembro e serão mais nítidas em áreas afastadas dos centros urbanos, onde a poluição luminosa é mínima. Mesmo se não forem visíveis a olho nu, é possível capturá-las em fotografias.

Tempestades solares canibais são eventos raros; no entanto, houve alguns exemplos notáveis nos últimos anos. Um deles ocorreu em dezembro de 2023 e outro em agosto do ano passado.

Nos últimos 18 meses, diversas tempestades geomagnéticas significativas foram registradas. Uma delas foi uma perturbação supercarregada G5 (extrema) em maio de 2024 que resultou em auroras amplas ao redor do globo e causou desordens nos sistemas GPS além de criar um novo “cinturão de radiação” ao redor da Terra. Especialistas estimaram que os danos causados por essa tempestade ultrapassaram os 500 milhões de dólares.

O recente aumento na atividade solar pode ser atribuído ao máximo solar — a fase mais ativa do ciclo solar que dura cerca de 11 anos. Nesse período, o número e tamanho das manchas solares e das tempestades solares aumentam consideravelmente.

Ainda que muitos especialistas considerem que o atual máximo solar possa estar chegando ao fim, houve uma mini-ressurgência na atividade nas últimas semanas, incluindo um tornado solar gigante que se formou na superfície do Sol por vários dias no final de agosto.

É esperado que a atividade solar permaneça elevada nos próximos meses e anos devido à instabilidade contínua no campo magnético do Sol.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.