Roubo de ovo Fabergé raro intriga autoridades em Londres
Homem confessou furto de peças avaliadas em £2 milhões em pub no Soho; agora, polícia tenta recuperar ovo Fabergé e relógio

A Polícia Metropolitana de Londres segue tentando localizar um ovo Fabergé e um relógio de luxo avaliados em cerca de £ 2 milhões, furtados em novembro de 2024 em um pub no Soho, no West End da capital britânica. O caso, que envolve peças de alto valor histórico e simbólico, ganhou novos desdobramentos após a confissão do acusado.
Enzo Conticello, também conhecido como Hakim Boudjenoune, admitiu ter roubado a bolsa de Rosie Dawson, diretora de marcas premium da Craft Irish Whiskey Company, enquanto ela estava em um estabelecimento da região. Além do ovo e do relógio, ele levou itens mais comuns, como laptop e cartões de crédito. Segundo as autoridades, o suspeito foi detido em Belfast no dia 26 de janeiro.
Conticello compareceu ao tribunal de Southwark na terça-feira vestindo uniforme cinza de presidiário. Ele se declarou culpado de furto e de três acusações de fraude por falsa representação, relacionadas ao uso dos cartões roubados. No entanto, negou a acusação de ocultação de bens provenientes de crime, incluindo especificamente o ovo Fabergé e o relógio.
Durante a audiência, o juiz Griffith comentou: “deve ter sido uma grande surpresa para si quando viu aquele ovo. O que fez com ele, não sei neste momento, mas presumo que iremos descobrir.” O réu, que não possui endereço fixo, permanece sob custódia e deverá retornar ao tribunal de Southwark em 6 de março, quando a sentença será proferida, repercute o The Guardian.
Em busca dos artefatos
A Polícia Metropolitana informou que continua empenhada na recuperação dos dois objetos, que pertencem à Craft Irish Whiskey Company. Os ovos Fabergé são considerados símbolos de opulência e figuram entre as peças de joalheria mais valiosas e cobiçadas do mundo. Produzidos pela Casa Fabergé, empresa russa fundada em 1842, esses ornamentos ficaram célebres no século 19.
As primeiras versões, inspiradas nos tradicionais ovos de Páscoa, foram criadas por Peter Carl Fabergé, filho do fundador Gustav Fabergé. Entre 1885 e 1916, ele produziu 50 ovos imperiais para a dinastia Romanov, que governou a Rússia até ser deposta em 1917. Atualmente, a marca ainda fabrica versões contemporâneas, como o Ovo Malaika de 2024, decorado com milhares de diamantes e rubis. Algumas dessas peças escondem compartimentos e surpresas elaboradas em seu interior.
No caso específico do item furtado, trata-se de uma criação resultante de uma colaboração firmada em 2021 entre a Craft Irish Whiskey Company e a Fabergé. A coleção de sete peças celebrava as “sete maravilhas da Irlanda” e incluía uma garrafa de uísque irlandês de 30 anos, um ovo celta Fabergé feito sob medida e um relógio de ouro rosa de 18 quilates. Os ovos são adornados com um nó celta cravejado de diamantes, símbolo da herança irlandesa, e contêm uma esmeralda zambiana bruta.
O valor de mercado dessas obras ajuda a explicar o interesse contínuo na recuperação. Em dezembro, um “ovo de inverno” de 112 anos — um dos 43 exemplares imperiais sobreviventes — foi leiloado por £ 22,9 milhões, estabelecendo recorde. Enquanto isso, as autoridades britânicas mantêm a busca pelo exemplar desaparecido no caso de Soho, cujo paradeiro segue desconhecido.