Pesquisadores chineses desenvolvem relógio lunar considerando relatividade de Einstein
Novo pacote de software desenvolvido por pesquisadores chineses promete dizer que horas são na Lua, considerando os efeitos da teoria da relatividade de Einstein

Você já se perguntou que horas são na Lua? Um novo pacote de software criado por pesquisadores chineses agora pode fornecer essa resposta.
O modelo foi desenvolvido por uma equipe do Observatório Purple Mountain, localizado em Nanjing, em colaboração com a Universidade de Ciência e Tecnologia da China, em Hefei. Os detalhes desse avanço foram apresentados em um artigo publicado na revista Astronomy & Astrophysics. Este novo método de cronometragem lunar promete manter sua precisão ao longo de um período de 1.000 anos.
A criação de um relógio lunar distinto levanta a questão sobre sua real necessidade. Mas, para entender isso, é fundamental referir-se à teoria da relatividade geral de Albert Einstein.
A Lua apresenta uma gravidade menor do que a da Terra, o que resulta em uma passagem do tempo ligeiramente diferente. Essa variação foi inicialmente prevista pela teoria de Einstein. De acordo com a NASA, para cada 24 horas na Terra, a Lua ganha aproximadamente 56 microsegundos.
Embora essa discrepância pareça pequena, ela se acumula ao longo do tempo, o que pode trazer sérios desafios para futuras missões tripuladas à Lua, como a iniciativa Artemis da NASA ou a estação de pesquisa lunar internacional desenvolvida em parceria entre Rússia e China. Em Marte, a situação é ainda mais complexa, com os relógios marcando cerca de 477 microsegundos a mais por dia em relação à Terra.
Os astronautas que viverão e trabalharão na Lua precisarão coordenar chamadas de vídeo, compartilhamento de dados e navegação com suas equipes na Terra. Por isso, é imprescindível desenvolver um algoritmo que converta com precisão o horário terrestre para o lunar. Em 2024, foi introduzido o conceito de Tempo Coordenado Lunar (TCL), uma equação que resolve a dilatação temporal relativística baseada na distância de um ponto específico na Lua em relação ao campo gravitacional da Terra.
Não se trata apenas de marcar o tempo — trata-se de navegação, comunicação e segurança”, destacou Sergei Kopeikin, astrônomo da Universidade do Missouri e coautor do artigo sobre TCL, em e-mail ao Live Science.
Novo relógio lunar
O novo sistema desenvolvido pela equipe chinesa aprimora o algoritmo original de Kopeikin. Ele calcula rapidamente uma versão da equação TCL levando em consideração fatores adicionais, como o Tempo Barycêntrico Coordenado (TCB), um padrão da União Astronômica Internacional. Os pesquisadores nomearam esse sistema como “ephemeris lunar time“, ou LTE440.
Kopeikin elogiou o LTE440 como “uma sólida peça de engenharia”, evidenciando o compromisso da China em avançar com seu ambicioso programa lunar. No entanto, ele observou que a NASA ainda está desenvolvendo seu próprio sistema lunar, denominado Tempo Coordenado Lunar (LTC), que busca ser finalizado até o final deste ano ancorado no Tempo Universal Coordenado (UTC) para garantir máxima interoperabilidade entre fusos horários.
Da mesma forma, a Agência Espacial Europeia está recebendo candidaturas para seu próprio relógio lunar. Esses sistemas poderão utilizar o LTE440 como referência para validar os cálculos das agências espaciais; contudo, ainda é incerto se o sistema chinês se tornará o padrão internacional.
Em última análise, a padronização do tempo lunar precisa ser coordenada entre diferentes países para evitar confusões que possam comprometer as pesquisas lunares. “Se falharmos”, advertiu Kopeikin, “corremos o risco de uma ‘guerra de fusos horários’ no espaço.”