Quadro de Klimt roubado por nazistas é leiloado por R$ 1,2 bilhão
Retrato de Elisabeth Lederer, criado por Gustav Klimt e roubado pelos nazistas, é a segunda obra de arte mais cara já vendida em leilão, por R$ 1,2 bilhão

Uma obra do renomado pintor austríaco Gustav Klimt foi leiloado recentemente pela marca histórica de US$ 236,4 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão, na cotação atual) incluindo taxas, consolidando-se como a segunda pintura mais cara já vendida em leilão e a mais cara entre as obras de arte moderna.
Intitulada ‘Retrato de Elisabeth Lederer‘, a pintura de aproximadamente dois metros de altura foi criada entre 1914 e 1916 e retrata Lederer, uma jovem herdeira e filha dos mecenas de Klimt, vestida com um robe chinês.
Na noite da última terça-feira, 18, seis licitantes competiram intensamente por 20 minutos durante o leilão da Sotheby’s em Nova York. A casa de leilões optou por não revelar a identidade do comprador vitorioso, repercute o The Guardian.
A obra passou por momentos turbulentos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo saqueada pelos nazistas e quase destruída em um incêndio. Em 1948, no entanto, foi devolvida ao irmão de Lederer, Erich, que era frequentemente tema das obras do amigo e colega artista de Klimt, Egon Schiele. A pintura permaneceu sob a posse de Erich até sua venda em 1983, dois anos antes de seu falecimento.
Em 1985, a obra se tornou parte da coleção privada do herdeiro da Estée Lauder, Leonard A. Lauder, que a expôs em sua residência na Quinta Avenida, em Nova York, embora tenha sido emprestada para exposições em algumas ocasiões. Lauder faleceu em junho aos 92 anos.
A historiadora de arte Emily Braun, que atuou como conselheira artística de Lauder por quase quatro décadas, comentou à CNN que a pintura era considerada a joia da coleção dele: “ele almoçava sempre que estava em casa, e o almoço era feito em uma pequena mesa redonda bem ao lado do quadro,” revelou Braun.
O ‘Retrato de Elisabeth Lederer‘ é uma das duas únicas pinturas completas de Klimt que ainda estão nas mãos de colecionadores privados.
Obra de arte valiosa
Antes do leilão, as estimativas indicavam que o quadro poderia ser vendido por mais de US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 790 milhões). No entanto, o preço final superou as expectativas, representando mais de 40% do valor total da coleção de Lauder, que arrecadou US$ 575,5 milhões (mais de R$ 3 bilhões) com taxas incluídas.
Essa venda estabelece um novo recorde para uma obra de Klimt em leilão, ultrapassando o recorde anterior de US$ 108 milhões pela venda do quadro ‘Dama com Leque’, realizada em 2023.
Em 2006, o irmão de Lauder, Ronald, adquiriu o famoso ‘Retrato de Adele Bloch-Bauer I’, também conhecido como ‘Mulher Dourada’, por US$ 135 milhões em uma transação privada.
A obra mais cara já vendida em leilão continua sendo ‘Salvator Mundi‘ de Leonardo da Vinci, que alcançou o valor impressionante de US$ 450,3 milhões em 2017.
Após o leilão da coleção Lauder na noite da última terça-feira, 18, a Sotheby’s ainda conduziu um leilão mais amplo focado na arte moderna. Este evento incluiu um vaso sanitário totalmente funcional feito em ouro maciço de 18 quilates como uma sátira aos ultraricos.
Pesando 101 kg e intitulado ‘América’, o vaso foi criado pelo provocativo artista italiano Maurizio Cattelan. Embora seja conhecido por suas obras controversas — incluindo uma banana adesivada a uma parede vendida por US$ 5,2 milhões —, neste leilão seu vaso sanitário recebeu apenas uma oferta que atingiu o preço pedido de US$ 10 milhões (R$ 53 milhões).
Cattelan criou dois vasos sanitários dourados em 2016; o outro foi exposto no Museu Guggenheim de Nova York e oferecido ao presidente dos EUA, Donald Trump, quando ele solicitou emprestar uma pintura de Van Gogh. O vaso foi posteriormente roubado enquanto estava exibido na Inglaterra no Palácio Blenheim.
Duas pessoas foram condenadas pelo roubo do vaso sanitário; entretanto, o objeto nunca foi encontrado. Investigadores acreditam que ele provavelmente foi desmontado e derretido.
Cattelan afirmou que seus vasos sanitários dourados são uma crítica à super-riqueza: “Não importa o que você coma, um almoço de 200 dólares ou um cachorro-quente de 2 dólares, o resultado é o mesmo, em termos de vaso sanitário.”