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Primeiras araras-canindés são soltas no Rio de Janeiro após mais de 200 anos

Após meses de adaptação em viveiro na Floresta da Tijuca, araras-canindés voltaram a viver livremente no Rio de Janeiro após mais de 200 anos

Arara-canindé solta recentemente no Rio de Janeiro / Crédito: Reprodução/TV Globo

No Rio de Janeiro, um grupo de pesquisadores lançou uma ambiciosa iniciativa voltada para a conservação ambiental: a reintrodução de araras-canindés na Floresta da Tijuca. Após um período de adaptação que durou meses em um viveiro especialmente preparado, chegou o momento aguardado para o voo livre das aves.

Matheus Sette Câmara, biólogo do projeto Refauna, expressou sua expectativa com a soltura ao Jornal Nacional: “Não dormi bem à noite e tudo esperando esse momento. Muitos meses esperando.” A atmosfera era de concentração e expectativa entre os pesquisadores, que se preparavam para a libertação das araras.

O grande dia começou com um café da manhã para as aves, seguido por um treinamento alimentar que visava facilitar a adaptação delas ao ambiente natural. Joana Macedo, diretora do Refauna, enfatizou a importância desse processo: “Elas têm que estar bem para voar, tem o treinamento alimentar, a gente vai fazendo a transição, oferecendo os frutos que ela vai encontrar na floresta.”

As quatro araras-canindés foram trazidas em junho do interior paulista para o Parque Nacional da Tijuca. Este evento histórico foi acompanhado pelo Jornal Nacional. A reintrodução das aves integra um projeto mais amplo do Refauna, apoiado pelo ICMBio e outras instituições. Após sete meses de preparativos, o primeiro voo foi realizado pela arara “Fernanda”, que se mostrou decidida e veloz.

Após Fernanda, foi a vez de “Suelli”, que voou cautelosamente em busca de alimento. Já “Fátima”, mais desconfiada, aguardou três dias antes de se aventurar na floresta. Esse processo requer cuidados especiais; apenas algumas pessoas podem se aproximar do recinto para evitar estresse nas aves.

Próximos passos

Ainda há muito trabalho pela frente: outras seis araras-canindés serão reintroduzidas durante o primeiro semestre deste ano, passando por um rigoroso processo de ambientação antes da soltura. O objetivo do projeto é alcançar um total de 50 aves nos próximos cinco anos, trazendo cores vibrantes à paisagem carioca, repercute o g1.

Mariana Egler, analista ambiental do ICMBio, destaca a importância da proteção desses animais: “A cidade do Rio de Janeiro tem os dois maiores parques urbanos do mundo. O Parque Estadual da Pedra Branca e o Parque Nacional da Tijuca vai depender do compromisso enquanto sociedade proteger essas espécies sendo soltas hoje para que elas consigam dar continuidade ao projeto Refauna.”

Após a soltura, a arara “Fernanda” foi vista novamente perto dos pesquisadores, levantando questões sobre seu comportamento pós-libertação. Luísa Genes, diretora científica do Refauna, descreveu a experiência como “muito emocionante”, ao ver o animal livre voando na floresta.

As aves estão equipadas com anilhas e colares para identificação e já têm encantado os cariocas nas redes sociais. Joana Macedo finaliza com entusiasmo: “Imagina elas passando gritando pelo Cristo, e vai ser um espetáculo de cor, de barulho, vai ser lindo demais”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.