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Ponte de Bering pode ter surgido mais tarde do que se pensava

Nova pesquisa sugere que travessia para as Américas teria ocorrido em um período mais restrito, muito mais tarde do que se pensava

Estreito de Bering - Universal Images Group North America

Um novo estudo sugere que a Ponte Terrestre de Bering — faixa de terra que ligava a Ásia ao Alasca durante a última era do gelo — pode ter emergido bem mais tarde do que se pensava. A pesquisa indica que a passagem ficou disponível há cerca de 35 mil anos, e não 70 mil, como apontavam teorias anteriores.

Essa descoberta estreita o período em que os primeiros grupos humanos poderiam ter migrado para as Américas, mudando a forma como se entende a ocupação inicial do continente.

Evidências

Os cientistas concluíram que a ponte pode ter ficado submersa entre 46 mil e 35,7 mil anos atrás, só se tornando acessível pouco antes do auge da última era glacial. Esse cenário se conecta a achados importantes, como as pegadas de 23 mil anos encontradas no Parque Nacional White Sands, no Novo México, consideradas uma das provas mais antigas da presença humana no continente.

Além disso, fósseis de mamutes, bisões e leões encontrados tanto na Eurásia quanto nas Américas reforçam a hipótese de que as migrações de espécies ocorreram mais tarde do que se acreditava.

Apenas humanos modernos

De acordo com os pesquisadores, esse novo quadro indica que apenas humanos modernos poderiam ter feito a travessia. Neandertais e denisovanos, que habitaram partes da Sibéria, já estavam extintos ou em processo de extinção quando a ponte reemergiu.

Ainda assim, os cientistas lembram que a navegação marítima também pode ter desempenhado um papel. Povos ancestrais já demonstravam conhecimento para cruzar grandes trechos de mar aberto, como ocorreu nas migrações rumo à Austrália e à Nova Guiné.

A revisão sobre a história da Ponte de Bering não só redefine quando a passagem esteve aberta, como também levanta novas perguntas sobre as rotas utilizadas pelos primeiros americanos. Segundo o ‘Live Science’, o estudo reforça que a chegada ao Novo Mundo foi mais complexa — e possivelmente mais recente — do que se acreditava.