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Tasmânia terá ‘Caixa Preta’ para registrar o possível fim da civilização humana

O dispositivo indestrutível começará a operar em dezembro para documentar o colapso ambiental e as decisões políticas que levaram o planeta ao limite

Representação de como seria a Caixa Preta da Terra
Representação de como seria a Caixa Preta da Terra - Earth Black Box

Nesta sexta-feira, dia 19 de junho de 2026, o ambicioso projeto conhecido como “Caixa Preta da Terra” avança para sua fase definitiva de instalação. Localizada em um aeródromo remoto nos arredores de Queenstown, na costa oeste da Tasmânia, a estrutura foi projetada para sobreviver a desastres globais e servir como um testemunho do impacto humano no planeta. A inspiração vem diretamente da aviação, utilizando o conceito de um registrador de voo que sobrevive a acidentes para revelar o que deu errado na trajetória da civilização.

Tecnologia para a eternidade

A estrutura monumental possui 16 metros de comprimento e quatro metros de altura, sendo protegida por paredes de aço de 7,5 centímetros de espessura e concreto reforçado. Conforme as especificações técnicas da agência Rouser Lab, responsável pela iniciativa, o monólito é capaz de resistir a ciclones, terremotos, incêndios e inundações

O fornecimento de energia será garantido por 36 painéis solares instalados no teto, protegidos por vidro temperado, além de um sistema de geração termoelétrica para manter o funcionamento constante dos discos rígidos.

Criadores do projeto afirmam que as grossas paredes de aço deverão ser capazes de resistir a ciclones, terremotos, incêndios, inundações ou ataques – Foto: Earths´s Black Box

Memória do declínio global

O dispositivo registrará dois fluxos distintos de informações para compor o “Índice Vital da Terra”. O primeiro inclui dados científicos contínuos, como medições de dióxido de carbono na atmosfera, temperaturas marítimas e taxas de extinção de espécies. O segundo foca no contexto geopolítico, armazenando manchetes de jornais, publicações em redes sociais e resoluções de conferências climáticas. 

“A ideia é que, se o mundo entrar em colapso devido às mudanças climáticas, este dispositivo indestrutível estará lá para quem restar aprender com isso”, afirmou o publicitário Jim Curtis, diretor executivo da Clemenger BBDO, em depoimento citado pela revista HowStuffWorks.

Local de segurança máxima

A escolha da Tasmânia deve-se à sua estabilidade geológica e política, servindo como o guardião ideal de uma memória global. Para o diretor artístico do projeto, Jonathan Kneebone, os últimos cinco anos foram essenciais para evoluir o design e os sistemas de armazenamento analógicos e digitais, repercute o Daily Mail.

Já o prefeito local, Shane Pitt, acredita que a estrutura poderá se tornar uma importante atração turística da região. Conforme o cronograma oficial da Earth’s Black Box Foundation, a instalação completa e o início das gravações em tempo real estão previstos para dezembro deste ano.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.