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Fim da humanidade: cálculo prevê extinção da espécie em 17 mil anos

O Argumento do Apocalipse sugere que a civilização tem 95% de chance de acabar em 17.100 anos com base na posição estatística de quem vive hoje

Sequência de esqueletos de primatas e de humano
Imagem ilustrativa mostra sequência de esqueletos de primatas e humano. Estudo utilizou probabilidade estatística para discutir quanto tempo a espécie humana pode existir - Foto: Getty Images

A humanidade pode estar com seus dias contados conforme um modelo matemático reportado pela Revista Galileu nesta quarta-feira, 17 de junho. O cálculo, conhecido como Argumento do Apocalipse, estima que nossa espécie tem 95% de probabilidade de desaparecer em aproximadamente 17.100 anos. Não se trata de uma predição baseada em desastres naturais iminentes ou guerras nucleares, mas sim de um raciocínio estatístico que questiona qual é o nosso lugar na história total da civilização.

Lógica da probabilidade

O ponto de partida é a estimativa de que 117 bilhões de pessoas já nasceram desde o surgimento dos primeiros humanos. O astrofísico Brandon Carter, que estruturou o conceito original em 1983, defende que não há motivo para acreditar que vivemos no comecinho de uma história que duraria milhões de anos.

Segundo essa visão, se o número total de humanos fosse infinito, seria uma coincidência bizarra estarmos nascendo justamente entre os primeiros bilhões. Conforme o matemático Fergus Simpson, é provável que a raça humana já tenha ultrapassado metade de sua existência total.

O Princípio Copernicano

O cálculo se baseia no Princípio Copernicano, nomeado em homenagem ao astrônomo Nicolau Copérnico, que provou no século 16 que a Terra não é o centro do universo. Na estatística moderna, isso sugere que nossa localização no tempo é aleatória e não privilegiada.

Se os 117 bilhões atuais representarem pelo menos 5% de todos os humanos que um dia existirão, o teto da espécie seria de 2,34 trilhões de pessoas. Com cerca de 130 milhões de nascimentos anuais, esse limite populacional seria atingido em pouco mais de 17 milênios.

Críticas ao modelo

Apesar do rigor matemático, a estimativa enfrenta resistências na comunidade científica. O astrônomo J. Richard Gott utiliza uma margem mais ampla em suas projeções, prevendo que a espécie pode durar entre 5.100 e 7,8 milhões de anos.

Especialistas citados pelo jornal Daily Mail e pela revista Spektrum der Wissenschaft alertam que o modelo ignora a capacidade humana de inovação, como a colonização de outros planetas. Para o físico Ken D. Olum, a chance de existirmos em uma civilização de longa duração cancela parte desse pessimismo estatístico. O estudo é tratado por especialistas mais como um exercício lógico do que como uma “profecia” definitiva sobre o destino final do planeta.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.