Pintura de Claude Monet pode bater recorde em leilão

Obra da série “Nymphéas” será destaque em leilão da Sotheby’s e pode alcançar a maior estimativa já atribuída a um Monet na Europa

Nymphéas, Claude Monet, 1907 - Divulgação Sotheby's

Claude Monet transformou um simples projeto de jardinagem em uma das séries mais célebres da história da arte. Agora, mais de um século depois, uma das pinturas de sua coleção de nenúfares pode alcançar mais de US$ 40 milhões em um leilão que será realizado no fim de junho, em Londres.

A obra faz parte da série “Nymphéas”, conjunto de quase 300 pinturas produzidas pelo artista francês ao longo de cerca de três décadas. Consideradas suas criações mais conhecidas, as telas nasceram da observação diária de uma lagoa construída por Monet em sua propriedade em Giverny, na França.

A expectativa é que a pintura de 1907 se torne uma das obras mais valiosas do artista já oferecidas em leilão na Europa.

A origem dos famosos nenúfares

A história começou em 1893, três anos após Monet adquirir sua propriedade em Giverny. Fascinado pelos reflexos da luz sobre a água, o pintor decidiu desviar um pequeno afluente do rio Epte para criar uma lagoa permanente em seu jardim.

Com o novo espaço pronto, ele passou a escolher as plantas que seriam cultivadas no local. Segundo registros citados pela Smithsonian Magazine, Monet afirmou que amava tanto a água quanto as flores e que selecionou os nenúfares consultando um catálogo de plantas.

A escolha acabou se tornando decisiva para sua trajetória artística. O crescimento das flores sobre a superfície da água oferecia ao pintor novas possibilidades visuais, marcadas pelos reflexos do céu, da luz e das mudanças atmosféricas.

Uma das séries mais importantes do impressionismo

Claude Monet está em frente à sua casa em Giverny em 1921, nesta fotografia tirada para a revista L’Illustration. – Museu de Orsay, Distrito. RMN-Grande Palácio Alexis Brandt

Os nenúfares se tornaram tema recorrente na produção de Monet. Ao longo dos anos, ele criou centenas de obras inspiradas na lagoa de Giverny.

Entre elas está um ciclo monumental de telas que ocupa mais de 2 mil pés quadrados e que foi descrito pelo pintor André Masson como a “Capela Sistina do Impressionismo”.

A pintura que será leiloada pertence ao período considerado por especialistas como um dos momentos mais importantes da série. Segundo Helena Newman, presidente da Sotheby’s Europe e responsável pelo departamento global de arte impressionista e moderna da casa de leilões, a obra concentra a atenção diretamente na superfície da água e em seus reflexos, eliminando referências à margem da lagoa.

Ela destacou ainda a variedade de cores utilizadas por Monet e a forma como a composição se aproxima da abstração.

Outro destaque do leilão

Camille sentada na praia em Trouville, Claude Monet, 1870 – Divulgação Sotheby’s

Além dos nenúfares, o evento também contará com a venda de “Camille assise sur la plage à Trouville”, pintura de 1870 que retrata Camille Monet, esposa do artista, sentada em uma praia.

A obra deverá ser vendida por mais de US$ 9 milhões e possui uma trajetória incomum: segundo a reportagem, ela foi exibida publicamente apenas uma vez desde 1970.

Para os especialistas da Sotheby’s, a reunião dessas duas pinturas no mesmo leilão permite observar a evolução artística de Monet ao longo de quase meio século de carreira.

Mercado continua valorizando Monet

Meules, Claude Monet, 1890 – Divulgação Sotheby’s

As estimativas para o leilão refletem o forte interesse do mercado pelas obras do artista francês.

A reportagem destaca que outras pinturas da série “Nymphéas” alcançaram valores expressivos nos últimos anos. Em 2024, uma obra produzida entre 1914 e 1917 foi vendida por US$ 65,5 milhões após uma disputa de lances que durou 17 minutos. Outras telas da mesma série também ultrapassaram a marca dos US$ 70 milhões em leilões realizados em Nova York.

A venda da pintura de 1907 acontecerá em 24 de junho, durante o leilão noturno de arte moderna e contemporânea da Sotheby’s. Será apenas a terceira vez que a obra estará em exibição pública desde sua apresentação em Paris, em 1909, e posteriormente em Nova York, em 2010.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes