Afinal, a Torre de Babel existiu ou não?
Será que a Torre de Babel, presente em passagem bíblica do Gênesis, existiu? Saiba o que dizem arqueólogos!

Por muito tempo, a torre de babel foi a única explicação para a origem das mais diversas línguas do mundo. Presente no livro bíblico do Gênesis, a narrativa em questão diz que, após o dilúvio de Noé, toda a humanidade falava uma única língua e vivia unida na planície de Sinear, associada à antiga Babilônia. Em determinado momento, porém, os homens, movidos pelo orgulho, decidiram construir uma cidade e uma torre “cujo topo chegasse ao céu”. Deus, vendo a pretensão humana de alcançar o divino, confundiu suas línguas para que não mais se entendessem. Incapazes de continuar a obra, os povos então se dispersaram pela Terra, e a cidade passou a ser chamada Babel, nome ligado ao verbo hebraico balal, “confundir” ou “misturar”.
Mas essa torre existiu de verdade?
A resposta é incerta. Pode ser que sim. Afinal, muitos arqueólogos e historiadores acreditam que o monumento descrito no Gênesis tenha sido inspirado por uma construção real da antiga Mesopotâmia: o zigurate de Etemenanki, erguido na Babilônia.
Ainda assim, a questão está longe de ser encerrada. Como explica o portal National Geographic, as evidências arqueológicas sugerem fortemente que um enorme templo em forma de torre existiu na cidade, mas isso não prova que ele seja exatamente a Torre de Babel da tradição bíblica.
Tradicionalmente, os cinco primeiros livros da Bíblia foram atribuídos a Moisés. Hoje, porém, muitos estudiosos consideram que o Gênesis foi composto por diferentes autores em épocas variadas do Oriente Próximo antigo.
No capítulo 11, o texto descreve uma humanidade unificada que migra para Sinear, região associada ao sul da Mesopotâmia, no atual Iraque. Nesse caso, a torre simboliza não uma simples obra arquitetônica, mas a ambição humana de romper os limites impostos por Deus. O episódio termina com a dispersão dos povos e a multiplicação das línguas.
Durante séculos, exploradores e eruditos tentaram localizar a verdadeira Torre de Babel. Alguns apontaram para as ruínas de Aqar Quf, antiga capital cassita próxima a Bagdá. Outros defenderam Borsippa, cidade mesopotâmica que possuía um grande zigurate. Na Idade Média, porém, quase não havia vestígios visíveis da antiga Babilônia, o que tornava qualquer identificação extremamente difícil.

Uma grande virada
A grande virada ocorreu em 1913, quando o arqueólogo alemão Robert Koldewey redescobriu as ruínas de Etemenanki durante escavações na Babilônia. Desde então, muitos pesquisadores passaram a considerar esse zigurate a inspiração histórica mais provável para o relato bíblico.
Etemenanki era um zigurate, um tipo de torre-templo comum na Mesopotâmia antiga. Essas estruturas em forma de pirâmide escalonada eram erguidas em homenagem ao deus protetor da cidade, Marduk, e serviam como centros religiosos de enorme importância.
Escavações mostraram que o edifício foi construído com tijolos de barro secos ao sol e tijolos cozidos ligados por betume. Além disso, textos antigos, incluindo relatos do historiador grego Heródoto e inscrições cuneiformes babilônicas, também mencionam uma torre monumental na cidade.
Uma descoberta especialmente importante ocorreu nos anos 1990: a chamada Estela da Torre da Babilônia, uma pedra com inscrições e desenhos do zigurate. Com base nela, estudiosos foram capazes de construir um modelo plausível de um templo com cerca de 90 metros de altura, o equivalente aproximado a um prédio moderno de 25 andares.
No entanto, determinar a aparência exata de Etemenanki é uma tarefa difícil porque o edifício passou por sucessivas destruições e reconstruções. Invasões, guerras e o desgaste do tempo afetaram continuamente a estrutura.
Conquista por Alexandre
Um dos últimos episódios conhecidos ocorreu em 331 a.C., quando Alexandre, o Grande conquistou a Babilônia. Ele ordenou a demolição das ruínas para reconstruir o zigurate, mas morreu antes que o projeto fosse concluído. Depois disso, o local foi saqueado e gradualmente desapareceu.
Hoje, restam principalmente vestígios das fundações, e o sítio arqueológico é protegido pela UNESCO no Iraque.
Uma questão curiosa que vale a pena ser ressaltada é que o Gênesis fala em “torre” e não em “zigurate”. Para os israelitas que escreveram o texto, essas construções mesopotâmicas eram provavelmente incomuns e impressionantes. Assim o termo “torre” pode ter sido a forma mais próxima de descrevê-las em hebraico.
Uma vez que não há evidências arqueológicas capazes de confirmar o relato bíblico, é possível que jamais saibamos se Etemenanki e a Torre de Babel eram de fato a mesma estrutura. Por isso, muitos pesquisadores interpretam Babel como parte de uma tradição mítica que se preocupou em explicar a origem da humanidade e das diferentes línguas e culturas.