O vínculo inusitado que uniu Elizabeth II e Jackie Kennedy
Apesar de um encontro inicial marcado por críticas, a rainha Elizabeth II e a primeira-dama Jacqueline Kennedy encontraram pontos em comum

Quando Jacqueline Kennedy visitou o Palácio de Buckingham pela primeira vez, em junho de 1961, a expectativa era grande. A então primeira-dama dos Estados Unidos acompanhava o presidente John F. Kennedy em uma viagem oficial ao exterior e via na ocasião uma oportunidade de conhecer pessoalmente a rainha Elizabeth II, uma das figuras mais admiradas do cenário internacional.
No entanto, o encontro entre as duas mulheres esteve longe de ser um sucesso imediato. Segundo a autora Caroline Hallemann, que explora a relação entre as famílias Kennedy e Windsor em seu livro The Kennedys and the Windsors, Jackie chegou ao palácio entusiasmada, mas saiu com algumas impressões menos glamorosas do que imaginava.
De acordo com Hallemann, a primeira-dama ficou levemente decepcionada ao perceber que o Palácio de Buckingham não parecia tão grandioso quanto havia imaginado. A própria rainha também não escapou das avaliações particulares de Jackie. Conforme relatado pela biógrafa real Sally Bedell Smith, Jacqueline comentou reservadamente que o penteado de Elizabeth II era “plano demais”, uma observação que ilustra a distância inicial entre duas mulheres que, mais tarde, desenvolveriam respeito mútuo.
Apesar das primeiras impressões pouco calorosas, a relação entre elas evoluiu rapidamente. Quando Jackie retornou ao Palácio de Buckingham no ano seguinte, após uma viagem à Índia e ao Paquistão, o clima era bastante diferente. Dessa vez, as duas passaram mais tempo juntas e descobriram interesses em comum que ajudaram a quebrar as barreiras protocolares.
Segundo Hallemann, um dos principais temas da conversa foi a paixão compartilhada por cavalos. Tanto Elizabeth II quanto Jacqueline Kennedy eram admiradoras da equitação e encontravam nesse universo um raro espaço de liberdade em meio às exigências de suas posições públicas.
A autora afirma que muitas pessoas próximas às duas mulheres relataram que elas pareciam mais autênticas quando estavam montando ou convivendo com cavalos. Foi justamente esse interesse comum que permitiu uma conexão mais genuína durante o segundo encontro.
Além do gosto pela atividade, as duas compartilhavam experiências que poucas pessoas no mundo poderiam compreender plenamente. Embora ocupassem funções muito diferentes, ambas viviam sob constante escrutínio público e representavam símbolos de suas nações em momentos de grande visibilidade internacional.
Durante uma conversa, Jackie comentou as dificuldades de viver permanentemente sob os holofotes, especialmente após uma visita oficial ao Canadá. A rainha respondeu com um conselho que acabou marcando a primeira-dama. Segundo Hallemann, Elizabeth observou que, com o tempo, era possível desenvolver maneiras de preservar a própria privacidade mesmo diante da intensa exposição pública.
A troca revelou uma faceta mais pessoal da monarca britânica e demonstrou que, apesar das diferenças culturais e institucionais, as duas mulheres enfrentavam desafios semelhantes. Ambas precisavam equilibrar a vida familiar com as responsabilidades públicas, enquanto criavam filhos pequenos sob a atenção constante da imprensa e da opinião pública.