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Galáxia anã pode estar sendo despedaçada por vizinha cósmica

Observações indicam que a Pequena Nuvem de Magalhães está sofrendo uma perturbação gravitacional causada por galáxia vizinha

Galáxia evento cósmico capa
Fluxo de estrelas na Pequena Nuvem de Magalhães - ESO/VISTA VMC/ AIP/ S. Vijayasree

Duas das galáxias mais próximas da Via Láctea parecem estar envolvidas em uma disputa gravitacional capaz de transformar profundamente sua estrutura. Um novo estudo sugere que a Pequena Nuvem de Magalhães (SMC, na sigla em inglês) está sendo lentamente deformada pela atração gravitacional exercida pela Grande Nuvem de Magalhães (LMC), sua vizinha maior. Segundo os pesquisadores, o processo pode ser tão intenso que a galáxia menor acabe sendo dividida em duas partes ao longo dos próximos centenas de milhões de anos.

As duas galáxias anãs orbitam a Via Láctea como satélites naturais. A Grande Nuvem de Magalhães está localizada a cerca de 160 mil anos-luz da Terra, enquanto a Pequena Nuvem de Magalhães encontra-se a aproximadamente 200 mil anos-luz de distância. Ambas podem ser observadas a olho nu no Hemisfério Sul.

Embora sejam classificadas como galáxias anãs, elas possuem dimensões consideráveis. A Pequena Nuvem de Magalhães abriga cerca de 3 bilhões de estrelas, enquanto a Grande Nuvem de Magalhães reúne algo entre 20 e 30 bilhões. Para comparação, a Via Láctea contém aproximadamente 200 bilhões de estrelas.

As duas estruturas estão ligadas por uma extensa corrente de gás e poeira conhecida como Corrente de Magalhães, formada ao longo de bilhões de anos por interações gravitacionais envolvendo as duas galáxias e a própria Via Láctea.

Publicado na revista Astronomy & Astrophysics, o novo estudo analisou os movimentos estelares da Pequena Nuvem de Magalhães utilizando mais de dez anos de observações obtidas pelo projeto VISTA Survey of the Magellanic Clouds (VMC). Os resultados revelaram que praticamente todas as estrelas da galáxia, inclusive aquelas localizadas próximas ao centro, estão se afastando em uma mesma direção.

Evento cósmico em galáxia

Os cientistas calcularam que essas estrelas se deslocam, em média, a cerca de 61 mil quilômetros por hora. Além disso, o padrão de movimento ocorre ao longo de um eixo específico da galáxia, apontando diretamente para a influência gravitacional da Grande Nuvem de Magalhães.

Segundo os pesquisadores, se essa dinâmica continuar, as estrelas poderão se deslocar milhares de anos-luz ao longo dos próximos centenas de milhões de anos. Esse processo seria suficiente para alterar significativamente a forma da galáxia e, possivelmente, fragmentá-la.

A descoberta reforça hipóteses levantadas por pesquisas anteriores. Em 2024, outro estudo já havia identificado grupos de estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães movendo-se em direções opostas. No entanto, a nova pesquisa é a primeira a demonstrar que a perturbação afeta toda a galáxia, e não apenas regiões isoladas.

O resultado também desafia uma ideia que predominou por décadas entre os astrônomos. Até então, muitos modelos indicavam que a Pequena Nuvem de Magalhães apresentava um comportamento semelhante ao de galáxias espirais, girando de maneira relativamente organizada em torno de seu próprio centro.

Agora, os dados sugerem um cenário diferente. Em vez de ser dominada pela rotação, a dinâmica interna da galáxia parece ser controlada pelas repetidas interações gravitacionais com sua companheira maior. Essas aproximações vêm ocorrendo há bilhões de anos e teriam remodelado profundamente sua estrutura.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.