Monumento com a data mais antiga do calendário maia já registrada foi descoberto
Arqueólogos conseguem entender 3 monumentos maias, eles revelam data 112 anos mais velha que a até então registrada no calendário maia

Na primeira semana do mês de junho, arqueólogos publicaram na revista Ancient Mesoamerica a descoberta do que acreditam ser a datação mais antiga conhecida do calendário “Long Count” das terras baixas maias.
No artefato encontrado em El Palmar, no México, está inscrito 8.7.1.0.0, que corresponde a 31 de agosto, 180 d. C. Ou seja, esse item arqueológico tem uma data 112 anos mais antiga que as descobertas anteriores. Provavelmente, esse item se tornou uma peça essencial na compreensão da história dos povos Maias.
Os monumentos Maias
Os arqueólogos analisaram 3 monumentos maia de pedra, Stelae 20, 45 e 46. Conforme o artigo, a pesquisa nesses itens arqueológicos em específico se dá para procurar as origens da realeza maia nas baixadas centrais da América.
Assim, já é conhecido que os governantes usavam do calendário de “Long Count”, ou Contagem Longa, para registrar momentos culturalmente importantes para aquela população. Por exemplo: nascimentos, adesões ao poder e atividades cerimoniais.
Porém, apesar de atualmente sabermos da importância para os maias, os historiadores ainda não descobriram quando esse sistema começou a ser usado.
Até então, esses monumentos não haviam sido analisados devido a dificuldade de os ler depois de séculos de erosão. Não obstante, as placas são feitas de calcário, material que, por conta da intempéries, se desfaz em pedaços.
Ou seja, para contornar as dificuldades de analisar tradicionalmente as inscrições, a equipe recorreu a modelos tridimensionais, fotogrametria e scanners de alta resolução para captar os mínimos detalhes.
Com a recriação dos monumentos em meio digital, os especialistas conseguiram utilizar a iluminação digital para ver as esculturas de ângulos muito diferentes do cotidiano. Assim, marcas que eram quase invisíveis nos monumentos originais tornaram-se mais fáceis de identificar.
Porém o Stelae 64 foi o item que mais se destacou. Nesse item arqueológico foi encontrada a inscrição “8.7.1.0.0” que servia como data às cenas descritas nos 3 monumentos. Inclusive, essas “cenas” do item parecem descrever atividades reais ligadas a rituais.
As interpretações
Conforme a Archaeology Magazine, algumas seções do item fazem referências ao Deus Jaguar do Submundo. Outras partes parecem conectar a autoridade política da realeza com os ciclos sagrados de tempo.
Nesse sentido, os historiadores teorizam que, para os antigos maias, na região do México, os calendários de 260 dias serviam como centro das cerimônias reais. Inclusive, é possível que monumentos públicos tenham servido como registros desses eventos e como forma de assegurar a autoridade dinástica.
De todo modo, os modelos da dinastia ainda são estudados pelos especialistas. Algumas leituras e interpretações dos itens são provisórias, podendo mudar com o desenrolar das análises. Mesmo assim, o Stelae 46 oferece uma rara evidência de uma época em que os maias ainda estavam se consolidando na força política.
*Sob supervisão de Éric Moreira