Ciclone na Indonésia mata 7% dos orangotangos mais raros do mundo
Cerca de 58 animais da espécie Tapanuli morreram após quatro dias de chuvas extremas e deslizamentos de terra provocados pelo intenso ciclone Senyar

Uma catástrofe ambiental na Indonésia atingiu severamente a população do grande primata mais raro do planeta. Em apenas quatro dias de chuvas torrenciais, o ciclone Senyar dizimou cerca de 7% de todos os orangotangos de Tapanuli (Pongo tapanuliensis) existentes na natureza.
O evento climático extremo, intensificado pelo aquecimento global, provocou deslizamentos de terra massivos na floresta de Batang Toru, situada na Sumatra Setentrional, resultando na morte de dezenas de indivíduos que foram esmagados ou soterrados vivos.
Tragédia na floresta
Os animais foram vítimas de afogamento, sufocamento sob a lama ou impactos causados pela queda de árvores durante a tempestade ocorrida em novembro de 2025. Conforme o estudo publicado na revista científica Current Biology, a região recebeu mais de 550 milímetros de chuva em um curto intervalo, gerando milhares de cicatrizes de deslizamento no habitat desses primatas.
A perda é considerada devastadora por especialistas, uma vez que a população total da espécie era estimada em apenas 767 indivíduos antes do desastre, repercute o Live Science.
Risco de extinção
O impacto é ainda mais preocupante devido à biologia específica desses animais, que foram identificados como uma espécie distinta apenas em 2017. Segundo o pesquisador Serge Wich, que é professor de biologia de primatas na Universidade Liverpool John Moores, no Reino Unido, o futuro desse grande símio é extremamente preocupante.
Os orangotangos possuem um ciclo reprodutivo muito lento, com intervalos de seis a nove anos entre os nascimentos, o que dificulta muito a recuperação natural da população após perdas tão expressivas.
Crise climática global
A investigação científica aponta que o ciclone Senyar foi potencializado por uma combinação de fatores climáticos severos, incluindo o aquecimento dos oceanos causado pela atividade humana. Além das mortes diretas, a destruição da cobertura vegetal afeta o suprimento de alimentos a longo prazo, pois as árvores frutíferas dependem de fungos no solo que foram levados pela enxurrada.
Especialistas alertam que eventos climáticos extremos representam agora uma ameaça catastrófica imediata para a sobrevivência dos orangotangos de Tapanuli.
*Sob supervisão de Éric Moreira