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Ambiente cósmico influencia formação de galáxias sem estrelas

Estudo liderado por pesquisadores brasileiros indica que a vizinhança cósmica desempenha papel decisivo na evolução de galáxias de transição

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Aglomerado de galáxias MACS J1149 capturado pelo James Webb; é nesta região que o sistema triplo "Arraia" foi detectado / Créditos: ESA/Webb, NASA e CSA, C. Willott e R. Tripodi

As galáxias passam por profundas transformações ao longo de bilhões de anos. Algumas são verdadeiras fábricas de estrelas, convertendo grandes quantidades de gás em novos astros. Outras, por sua vez, já esgotaram boa parte desse processo e abrigam populações estelares envelhecidas. Entre esses dois extremos existe uma categoria intermediária conhecida como galáxias de transição, sistemas que estão gradualmente reduzindo sua capacidade de gerar novas estrelas. Agora, um estudo divulgado na revista The Astrophysical Journal indica que o ambiente cósmico desempenha um papel fundamental nessa mudança.

A pesquisa contou com a participação de cientistas brasileiros e analisou milhares de galáxias observadas por grandes levantamentos astronômicos. O objetivo era compreender de que forma fatores externos influenciam a evolução desses sistemas. Os resultados mostram que a estrutura das galáxias de transição está fortemente relacionada à densidade da região do Universo em que elas se encontram, sugerindo que a vizinhança cósmica pode acelerar ou retardar o processo de desligamento da formação estelar.

Galáxias de transição

Os astrônomos classificam as galáxias em diferentes grupos de acordo com suas características. As chamadas galáxias azuis possuem abundância de gás frio e intensa atividade de formação de estrelas. Já as galáxias vermelhas são dominadas por estrelas antigas e apresentam pouca ou nenhuma produção estelar. As galáxias de transição ocupam justamente a faixa intermediária entre esses dois grupos, sendo consideradas peças-chave para entender como ocorre a evolução galáctica.

Segundo os pesquisadores, sistemas localizados em ambientes mais densos — como aglomerados e grupos de galáxias — tendem a sofrer influências gravitacionais mais intensas. Essas interações podem remover parte do gás necessário para a formação de estrelas ou alterar a dinâmica interna das galáxias. Como consequência, o processo de envelhecimento ocorre de maneira diferente da observada em galáxias mais isoladas.

O estudo identificou ainda que as galáxias de transição apresentam estruturas variadas dependendo do ambiente em que vivem. Em regiões mais povoadas do cosmos, elas costumam desenvolver componentes centrais mais proeminentes e perder características associadas aos discos ricos em gás. Isso sugere que a transformação não acontece apenas no ritmo de formação estelar, mas também na própria arquitetura desses sistemas.

A descoberta ajuda a resolver uma questão debatida há décadas pelos astrônomos: se o fim da formação estelar é provocado principalmente por processos internos, como a atividade de buracos negros supermassivos, ou por fatores externos relacionados ao ambiente. Os novos resultados indicam que ambas as influências podem atuar em conjunto, mas reforçam a importância das condições ao redor de cada galáxia.

Compreender esse processo é essencial para reconstruir a história do Universo. A Via Láctea, por exemplo, continua formando estrelas, mas em um ritmo menor do que no passado. Estudos sobre galáxias de transição permitem aos cientistas observar diferentes estágios dessa evolução e identificar os mecanismos responsáveis pelas mudanças ao longo do tempo cósmico.

Para os autores, a pesquisa demonstra que a evolução das galáxias é um fenômeno mais complexo do que se imaginava. Em vez de serem moldados apenas por processos internos, esses sistemas também carregam as marcas do ambiente em que vivem. Assim, a história de uma galáxia não depende apenas de sua massa ou composição, mas também da influência exercida por seus vizinhos e pela estrutura em larga escala do Universo.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.