Astrônomos descobrem a ‘Tatooine’ de Star Wars da vida real
Cientistas descobrem exoplanetas de sistemas estelares binários, tal qual a do planeta Tatooine de Star Wars

Na saga Star Wars, o planeta de origem de Anakin e Luke Skywalker, Tatooine, ficou muito conhecido em toda cultura pop por seus característicos dois sóis. Quando o filme “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança” foi lançado, em 1977, nenhum exoplaneta tinha sido descoberto.
No entanto, com os avanços tecnológicos, milhares de planetas fora do nosso sistema solar têm sido catalogados. Dentre eles, uma surpresa para os fãs da saga de ficção científica, cientistas descobriram 27 novos planetas em potencial que hospedam um par de sóis, tal qual o planeta ficcional, Tatooine.
A fim de homenagear a série de filmes, as novas descobertas foram lançadas na última segunda, 4 de maio, considerado o dia de Star Wars, na revista Avisos Mensais da Royal Astronomical Society.
À título de curiosidade, esse dia é associado à Star Wars devido ao jogo semântico causado no inglês. No qual May the 4th, pode ser associado à frase característica da série, “May the force be with you”.
Exoplanetas
Apesar de serem impossível vermos a olho nu, muitos desses planetas também são dificilmente vistos até mesmo pelos telescópios. Desde as primeiras catalogações em 1995, o número subiu lentamente em pareamento com as novas tecnologias.
Em 2025, os astrônomos quantificaram em 6.000 exoplanetas identificados, desde lá, de acordo com a NASA, apenas 300 foram adicionados à lista. E do total encontrado, apenas 20 pertenciam à um sistema binário de estrelas.
Vale a pena destacar que essas catalogações utilizam muito a ferramenta NASA’s Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS). Na qual as variações de curvas de luz de estrelas, proporciona alterações no brilho, que podem indicar, quando um planeta passou em frente a estrela natal.
No entanto, a maioria dos pesquisadores prioriza a análise das curvas de luz das estrelas mais brilhantes, já que os eventos orbitais são muito mais perceptíveis e mais fáceis de confirmar. Da mesma forma, em sistemas estelares binários ou múltiplos os planetas têm mais probabilidade de ter órbitas irregulares e não entrar na nossa visão.
Mas, mesmo com a adversidade, os pesquisadores conseguiram identificar dezenas de planetas desse jeito. Um deles, o primeiro confirmado, é o Kepler-16b, se assemelha com saturno em massa e está a quase 250 anos-luz da Terra.
Porém o estudo deixa claro que planetas são mais raros em sistemas binários. Já que a física desses ambientes não proporciona uma estabilidade orbital ao longo do tempo. Do mesmo modo é com a vida nesses lugares, devido a variação constante, a vida não consegue se desenvolver propriamente.
Mohammad Farhat, astrônomo da Universidade da Califórnia, em Berkeley, coautor do estudo, disse:
Duas coisas podem acontecer: Ou o planeta fica muito, muito próximo do binário, sofrendo ruptura de maré, ou sendo engolfado por uma das estrelas, ou sua órbita fica significativamente perturbada pelo binário para ser eventualmente ejetada do sistema,. […] Em ambos os casos, você se livra do planeta.”
De todo modo, os cientistas buscam virar suas lentes para os 27 suspeitos descobertos para confirmarem suas identidades.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes