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Planeta semelhante ao Tatooine de Star Wars é encontrado — e orbita dois sóis

Planeta semelhante ao famoso Tatooine da saga Star Wars está localizado a 446 anos-luz da Terra e orbita um sistema binário

Cientistas descobriram um planeta localizado a 446 anos-luz da Terra que orbita duas estrelas - Crédito: Divulgação/Universidade de Exeter

Uma equipe de cientistas anunciou recentemente a descoberta de um planeta extraordinário. Localizado a 446 anos-luz da Terra, o planeta, denominado ‘HD 143811 b’, orbita um sistema binário, no qual duas estrelas giram em torno de um ponto central. Semelhante ao famoso Tatooine da saga Star Wars, o céu deste mundo distante é iluminado pela luz de dois sóis.

Acredita-se que HD 143811 b seja um gigante gasoso, composto principalmente por hidrogênio e hélio, apresentando uma massa cerca de seis vezes maior que a de Júpiter.

Diferentemente dos planetas do nosso sistema solar, o HD 143811 b se encontra a uma distância significativa de seus sóis, aproximadamente 80 vezes mais longe do que a Terra está do Sol. Esse afastamento resulta em um período orbital extremamente longo: leva cerca de 300 anos para completar uma volta ao redor das estrelas, enquanto as duas estrelas do sistema se movem rapidamente entre si a cada 18 dias.

De acordo com o portal Daily Mail, embora essa distância possa parecer considerável, HD 143811 b está na verdade a seis vezes mais perto de seus sóis do que qualquer outro exoplaneta conhecido em sistemas binários. Curiosamente, mesmo orbitando a uma distância superior à de Plutão, a superfície deste planeta peculiar ainda atinge temperaturas extremas de 730°C.

A descoberta deste planeta raro oferece aos cientistas uma visão rara sobre como os planetas se formam e se movimentam em torno de múltiplas estrelas. Dos aproximadamente 6.000 exoplanetas catalogados até agora, apenas uma fração muito pequena orbita sistemas estelares binários.

Analisando dados

A identificação de HD 143811 b não ocorreu através de novas observações astronômicas, mas sim pela análise de dados antigos coletados por diversos telescópios ao longo dos últimos anos.

Pesquisadores da Universidade de Exeter e da Universidade Northwestern reexaminaram informações coletadas entre 2016 e 2019. Durante este processo, os cientistas da Northwestern notaram um objeto incomum que parecia acompanhar o movimento de uma estrela distante.

O Dr. Jason Wang, autor principal do estudo americano, explicou: “As estrelas não ficam paradas em uma galáxia; elas se movem. Procuramos objetos e depois revisitamos eles mais tarde para ver se se moveram para outro lugar. Se um planeta está ligado a uma estrela, então ele se moverá com a estrela.”

No entanto, essa observação inicial não confirmava que o objeto luminoso era um planeta; poderia também ser uma estrela mais distante interferindo na imagem. Simultaneamente, cientistas britânicos analisaram os dados e encontraram o mesmo objeto intrigante.

Vito Squicciarini, autor principal da pesquisa britânica, comentou: “Podíamos ver uma fonte previamente não identificada perto da localização das duas estrelas, mas precisávamos de outra observação para confirmar que estava orbitando as duas estrelas.”

A equipe solicitou tempo de telescópio no Chile e obteve novas imagens em julho deste ano. Em menos de uma hora, conseguiram confirmar que se tratava realmente de um novo planeta.

Detalhes revelados

A partir dessas descobertas, os pesquisadores revelaram detalhes fascinantes sobre este mundo inexplorado. Surpreendentemente, descobriram que o planeta se formou há apenas 13 milhões de anos – o que pode parecer muito tempo, mas é 50 milhões de anos após a extinção dos dinossauros.

Apesar da proximidade relativa a suas estrelas para um exoplaneta, HD 143811 b ainda está oito vezes mais distante delas do que a Terra está do Sol. Isso implica que leva 300 anos para completar uma única órbita.

Dada a raridade dos exoplanetas em sistemas binários, os cientistas ainda têm dúvidas sobre como HD 143811 b realmente se formou. Contudo, acreditam que o sistema estelar binário surgiu primeiro e o planeta se formou posteriormente ao seu redor. Os pesquisadores esperam que esta descoberta possa elucidar algumas das questões envolvendo mundos semelhantes ao Tatooine.

Squicciarini concluiu: “A importância dessa descoberta é que ela pode nos ajudar a estabelecer um padrão sobre como tais planetas são formados. A partir disso, surge a questão: poderíamos encontrar planetas semelhantes à Terra neste tipo de sistema? Com mais descobertas como esta nos próximos anos, talvez possamos responder a essas perguntas fundamentais.”

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.