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Orelhões estão sumindo e podem ser retirados em breve em todo o Brasil

Cada vez mais raros nas ruas do Brasil, os telefones públicos conhecidos como "orelhões" devem ser retirados ainda neste ano

Pessoas usando orelhão em São Paulo em 1972 / Crédito: Domínio Público

A presença dos orelhões nas vias públicas brasileiras está em franco declínio, e a expectativa é que essa redução se intensifique a partir de janeiro de 2026. Com a mudança no modelo de concessão da telefonia fixa, as operadoras obtiveram permissão para desativar os aparelhos que não são considerados obrigatórios.

Em dezembro de 2025, o Brasil contava com apenas 38.454 orelhões, um número significativamente inferior aos 84.938 registrados no mesmo mês do ano anterior. Antes da pandemia, em janeiro de 2020, o país tinha mais de 200 mil desses equipamentos. Atualmente, cerca de 88,1% dos orelhões estão em operação, enquanto 11,9% se encontram fora de serviço para manutenção.

A mudança na regulamentação ocorre após a transição dos contratos antigos do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para um regime de autorização, conforme previsto na Lei Geral de Telecomunicações. Isso significa que as operadoras deixaram de ter a obrigação de manter e expandir a rede de orelhões, passando a operar sob uma lógica privada.

Marcos Paulo Carozza, Gerente de Controle de Obrigações da Anatel, afirma à CNN Brasil: “Hoje, eles (orelhões) não são mais a regra, são exceção e são mantidos apenas onde não há um serviço de voz substituto”.

A Oi foi uma das primeiras empresas a finalizar essa adaptação em novembro de 2024 e começou a desativar os aparelhos não obrigatórios logo em seguida. As operadoras Algar, Claro e Telefônica tiveram suas concessões adaptadas em 2025 e foram obrigadas a manter todos os orelhões até o final desse ano. Entretanto, a partir de 1º de janeiro de 2026, elas poderão iniciar a retirada dos equipamentos considerados não essenciais.

Ainda assim, os contratos estabelecem que aproximadamente nove mil orelhões deverão continuar em funcionamento até dezembro de 2028, especialmente em áreas onde a cobertura celular é considerada insuficiente.

Estatísticas pelo país

São Paulo é o estado que abriga o maior número de orelhões do país, com 28.810 aparelhos registrados em dezembro de 2025. Desses, 96,4% estavam ativos e apenas 3,6% passavam por manutenção.

Em contraste, o Espírito Santo apresenta o menor número de aparelhos: apenas 15 unidades, das quais 10 estavam operacionais e cinco fora de serviço para manutenção, repercute a CNN Brasil.

Outros estados também demonstram uma quantidade reduzida são o Rio Grande do Sul, com 148 (63 ativos e 85 em manutenção); Rio de Janeiro, com 55 (41 ativos e 14 em manutenção); Minas Gerais, com 720 (433 ativos e 287 em manutenção); Bahia, com 1.569 (1.019 ativos e 550 em manutenção); e Pará, com 849 (506 ativos e 343 em manutenção);

Declínio do uso

A Telefônica/Vivo, responsável pela gestão dos orelhões em São Paulo, informou que a transição para o novo regime encerrou as obrigações referentes ao regime público anterior, incluindo a manutenção e expansão dos telefones públicos. A empresa destacou que seu uso caiu alarmantes 93% nos últimos cinco anos.

A Vivo declarou em nota: “A Vivo informa que a migração do modelo de concessão para o regime de autorização, formalizada pelo Termo de Autorização nº 1/2025 da Anatel, encerrou as obrigações do regime público, incluindo a expansão e a manutenção dos Telefones de Uso Público (TUPs), conhecidos como orelhões. O referido Termo de Autorização prevê, contudo, que a Vivo mantenha, até o final de 2028, TUPs ativos em localidades atendidas exclusivamente pela empresa, garantindo atendimento à população dessas específicas localidades, ainda que seu uso seja praticamente inexistente. No estado de São Paulo, até dezembro/2025, havia aproximadamente 28.000 unidades em operação, cuja utilização caiu 93% nos últimos cinco anos, evidenciando que os orelhões deixaram de fazer parte da rotina das pessoas.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.