Maior buraco negro ‘nu’ visto pode reescrever surgimento das galáxias
Buraco Negro "nu" descoberto pelo telescópio James Webb é tão massivo que revela novos processos exóticos do universo primordial

Recentemente, astrofísicos mediram a massa de um buracro negro “nu” descoberto pelo telescópio James Webb. A estrutura espacial é classificada como um pequeno ponto vermelho (LRD, na sigla em inglês), classificação para objetos detectados do universo primordial.
Contudo, sua densidade é tão grande que os cientistas tiveram de recorrer a métodos inesperados para calcular. Nesse mesmo sentido, de tão massivo, é dito que o buraco negro parece “nu”, por não deixar que uma galáxia hospedeira se formasse ao seu redor. Ou seja, absorveu grande parte dela antes mesmo de se formar.
De qualquer forma, entenda porque os cientistas o chamam de “nu” e como fizeram para calcular sua massa:
Os LRD’s e a “nudez”
Só para exemplificar a potência gravitacional desse corpo, nas imagens tiradas pelo Telescópio Espacial James Webb, em 2023, a gravidade envolvida na sua projeção era tanta que criou uma lente capaz de fazer ele aparecer 3 vezes. De todo modo, os cientistas nomearam o corpo como Abell2744-QSO1, ou simplesmente “QSO1”.
Embora muitos cientistas classifiquem os LRD como fenômenos tão exóticos que as leis comuns do universo não podem explicar, os astrônomos envolvidos no estudo lançado dia 27 deste mês, na revista Nature, quiseram provar o contrário.
s astrônomos utilizaram uma abordagem mais direta e mapearam a velocidade de rotação de um gás que estava sendo absorvido a diferentes distâncias do centro, para estimar a massa do buraco negro. Ignas Juodžbalis, candidato a doutor no Instituto Kavli de Cosmologia da Universidade de Cambridge e primeiro autor do estudo, disse ao Live Science:
Esta medição é a primeira do seu tipo num Pequeno Ponto Vermelho, pelo menos por agora”.
Uma característica marcante do QSO1 é seu isolamento no espaço. Conforme os especialistas, quanto maior e mais isolado o buraco negro no espaço, maior será sua esfera de influência e sua capacidade de absorver.
Ou seja, um buraco negro “nu” é um astro que absorveu boa parte do seu entorno. Assim, a galáxia que serviria como sua “roupagem” sequer conseguiu se formar. Nesse mesmo sentido, para calcular buracos negros de alta massa, é mais fácil calcular a influência gravitacional nos movimentos do gás próximo.
Medição e resultados
Desse modo, os astrônomos usaram espectroastrometria, técnica para medir pequenas variações posicionais da luz do espaço — assim, capturando a velocidade em que os gases de hidrogênio circulam o buraco negro.
Conforme o estudo, a massa do buracro negro chega a 50 milhões de sóis; e é um exemplo de como a depender da massa do astro, a galáxia ao redor pode ser alterada. Já os astros atraídos por sua gravidade, que ficam distantes do núcleo, têm cerca de 20 milhões de sóis de força. Ou seja, muito provavelmente esse é o buracro negro “nu” mais massivo já encontrado.
Do mesmo modo, a equipe o classificou como um buraco negro em estágio inicial de crescimento e que ainda vai desenvolver sua galáxia hospedeira em milhões de anos. De qualquer forma, futuras observações terrestres podem proporcionar mais dados para investigar corpos semelhantes a esse.
*Sob supervisão de Éric Moreira