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Telescópio James Webb descobre um sistema triplo de galáxias

Conhecida como Arraia, a estrutura cósmica recém-observada pode solucionar o enigma dos pontos vermelhos ligados à ação de buracos negros

Aglomerado de galáxias MACS J1149 capturado pelo James Webb; é nesta região que o sistema triplo "Arraia" foi detectado / Créditos: ESA/Webb, NASA e CSA, C. Willott e R. Tripodi

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou um intrigante sistema triplo de galáxias, carinhosamente apelidado de “A Arraia”. Consequentemente, essa observação profunda pode solucionar de vez o enigma dos chamados “pequenos pontos vermelhos” (LRDs), que intrigam os astrônomos desde 2022.

A princípio, a comunidade científica acreditava que os LRDs formavam uma classe totalmente isolada e nova de objetos cósmicos. No entanto, um novo estudo publicado em 9 de março na prestigiada revista Astronomy & Astrophysics sugere uma perspectiva fundamentalmente diferente.

Segundo a pesquisa, esses pontos avermelhados representam apenas uma fase transitória na evolução de galáxias que abrigam buracos negros supermassivos em plena atividade.

Interações e transições cósmicas

De acordo com informações da revista Live Science, o peculiar sistema galáctico remonta a uma época longínqua, exatamente quando o universo tinha pouco mais de 1,1 bilhão de anos.

Atualmente, sabe-se que a estrutura é formada por uma galáxia estável de ruptura de Balmer, uma galáxia satélite menor e uma galáxia de transição (tLRD). Dessa forma, ao analisar a história evolutiva do grupo, os cientistas concluíram que antigas colisões gravitacionais provocaram intensos surtos de formação estelar.

Posteriormente, esses violentos eventos cósmicos acabaram alimentando o buraco negro central da galáxia de transição. Como resultado direto, o núcleo atingiu um estado bastante incomum, que mistura perfeitamente características clássicas de LRDs e de Núcleos Galácticos Ativos (AGNs).

Temos todos os ingredientes necessários para produzir tal transição”, cravou a autora principal do estudo, a astrofísica Rosa María Mérida, em um e-mail oficial enviado à redação do Live Science.

Evolução em debate

Para outros especialistas da área, o achado fortalece fortemente a hipótese de uma metamorfose evolutiva do universo primordial. Em comunicação também enviada à equipe da Live Science, o pesquisador Devesh Nandal, pós-doutorando em Harvard e independente da pesquisa, avaliou positivamente os dados publicados.

O artigo apoia a ideia de que pelo menos alguns pequenos pontos vermelhos representam fases evolutivas, em vez de uma classe totalmente distinta”, explicou o especialista em sua avaliação.

Por fim, a equipe de astrônomos pretende dar continuidade imediata à busca por novos objetos de transição nos levantamentos de dados profundos do JWST. Afinal, comprovar definitivamente essa complexa tese exige o mapeamento de amostras muito maiores, essenciais para compreender o comportamento dinâmico e os ambientes desses buracos negros ancestrais.


*Sob supervisão de Éric Moreira