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Os buracos negros mais antigos do universo podem ainda existir

Nova pesquisa amplia a compreensão sobre buracos negros primordiais e desafia visão clássica sobre existência dessas formações

Ilustração artística de buraco negro supermassivo em atividade na galáxia NGC 3783 / Créditos: ESA

Um novo estudo cosmológico propõe que os buracos negros formados nos instantes iniciais após o Big Bang — conhecidos como buracos negros primordiaispodem não ter desaparecido como se acreditava até agora, mas sim ter sobrevivido e até crescido ao longo da história cósmica, podendo ainda estar presentes no universo atual. Essa hipótese representa uma reviravolta significativa na física teórica e cosmológica, desafiando concepções consolidadas sobre a evolução desses objetos extremos e abrindo novas possibilidades para explicar fenômenos como a matéria escura.

Tradicionalmente, os buracos negros primordiais são concebidos como remanescentes de zonas de altíssima densidade que teriam surgido na “sopa” energética do universo recém-nascido, nos primeiros momentos após o Big Bang. Em teorias desenvolvidas ao longo de décadas, esses objetos teriam massa variando de valores extremamente baixos até muito superiores à massa do Sol, mas especialistas acreditavam que os menores entre eles teriam desaparecido por meio da chamada radiação de Hawking — um processo quântico que faz com que buracos negros percam massa e evaporem com o tempo.

Buracos negros primordiais

O novo trabalho introduz um parâmetro chamado “eficiência de absorção”, que quantifica quão eficazmente um buraco negro primordial poderia consumir a intensa radiação que permeava o universo primitivo. Segundo os autores, se um buraco negro tiver uma eficiência de absorção elevada o suficiente, esse processo de ingestão energética supera a perda de massa pela radiação de Hawking e, em vez de encolher, o buraco negro cresce e pode sobreviver por períodos cosmológicos muito mais longos do que se pensava anteriormente.

Essa perspectiva altera de forma substancial os modelos que descrevem a evolução cosmológica dos buracos negros. Em vez de um ciclo de vida no qual os primordiais desaparecem rapidamente, o cenário sugerido pela nova pesquisa permite que uma grande faixa de massas possíveis — desde os menores até os que eventualmente se tornariam objetos muito maiores — ainda esteja presente hoje, potencialmente contribuindo para explicar parte da matéria escura do universo.

A matéria escura é a substância invisível que exerce grande parte da gravidade no cosmos e influencia a formação e o movimento das galáxias, mas cuja composição ainda permanece um enigma para os cientistas. Se buracos negros primordiais sobreviventes constituírem uma fração significativa dessa matéria escura, isso ajudaria a resolver um dos grandes mistérios da física moderna, unindo aspectos de teoria quântica, relatividade geral e cosmologia.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.