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Estrela da borda da galáxia pode dar pistas do Universo Primordial

Estrela Picll-503 é apontada por astrônomos como um corpo de segunda geração, ou seja, formada a partir do resto de outras estrelas mortas

Ilustração de Estrela de carbono
Ilustração de Estrela de carbono - Créditos: Getty Images

No último dia 16 deste mês, na revista de divulgação científica Nature Astronomy, um artigo publicado deu pistas sobre o início da vida no Universo. Conforme o estudo, as investigações à estrela Picll-503 dão indícios de formação a partir da explosão de outra estrela.

Ou seja, a estrela em questão dá pistas sobre o que acontece com a matéria cósmica expelida nas explosões estelares. Ainda, este “fóssil” galáctico nos indica que muitas das estrelas que vemos nos céus também podem ser da segunda e, inclusive, da terceira geração.

A estrela fênix

A Picll-503 está localizada a mais de 150.000 anos-luz da Terra, na galáxia-anã Pictor II, que tem mais de 10 bilhões de anos. Conforme a revista Smithsonian, ela pertence à bolha de estrelas antigas que se funde com as beiras da Via Láctea.

Porém, apesar da “proximidade”, comparado com outros corpos já observados pela ciência, essa estrela só foi descoberta em 2024 pelo Telescópio NSF Víctor M. Blanco, localizado no Chile.

Surpreendentemente, ao analisar as assinaturas químicas da Picll-503, foram encontradas baixíssimas taxas de ferro, cálcio entre outros materiais “pesados” eletronicamente. Em contra partida, a estrela é riquíssima em carbono, material muito mais comum em estrelas de “meia idade”.

Esses novos indícios apontam para uma formação de segunda geração. Ou seja, uma estrela nascida dos restos da outra, imagem muito semelhante a da figura mitológica grega da Fênix.

Formação das estrelas

Entretanto, para entender o porquê dessas conclusões dos cientistas é necessário compreender qual é o funcionamento base de uma estrela e a razão da diferença desses materiais que a compõem.

As estrelas como conhecemos baseiam-se na emissão de energia a partir da fusão nuclear. É por esse motivo que não falamos que a estrela é uma bola de fogo no céu. Pois a emissão de calor e luz vem do estrondo de uma fusão nuclear.

Ademais, é por esse motivo que quando vemos uma estrela repleta de Hidrogênio e Hélio, dentre outros materiais de pouca densidade atômica, as chamamos de estrelas novas. Estrelas compostas de materiais mais “pesados” tendem a ser mais velhas.

Mas a distribuição desse material não é uniforme na composição do corpo estelar, no núcleo há a presença de materiais mais densos, assim como é com o nosso Sol. 

Os indícios da Picll-503

Porém, a estrela em questão possui uma composição quase unânime de carbono, material pesado, mas não denso o suficiente para matar uma estrela. Conforme o estudo, esse seria o maior indício de que ela foi formada sobre os restos de outro corpo luminoso.

Os cientistas teorizam que uma primeira estrela havia se tornado uma Supernova de baixa intensidade e com as explosões, o material denso residiu no espaço original, enquanto que outros mais leves foram lançados universo afora.

Assim, o descobrimento dá mais dicas sobre outras estruturas e como reconhecê-las. Surpreendentemente, a estrela de segunda vida, devido sua formação, foi considerada uma das primeiras do universo. Um verdadeiro fóssil do espaço.

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: