Cientistas observam nascimento do “ímã” mais potente do universo
Pela primeira vez, cientistas conseguiram testemunhar o surgimento de um magnetar — um “ímã" dos mais poderosos do cosmos

Astrônomos registraram, pela primeira vez, o nascimento de um magnetar — um tipo raro e extremamente poderoso de estrela de nêutrons, que atua como um “ímã” — no interior de uma explosão estelar colossal. A descoberta, considerada inédita, só foi possível graças a um fenômeno descrito pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein, que ajudou a decifrar sinais incomuns vindos de uma supernova.
Os magnetares estão entre os objetos mais extremos do universo. Eles se formam quando estrelas massivas colapsam ao final de sua vida, comprimindo uma quantidade de massa equivalente à do Sol em uma esfera com poucos quilômetros de diâmetro. O resultado é um corpo ultradenso que gira rapidamente e gera campos magnéticos colossais — até cerca de 300 trilhões de vezes mais intensos que o da Terra. Um verdadeiro super ímã.
“Ímã” do universo
O evento observado ocorreu em uma supernova particularmente brilhante, classificada como “superluminosa”. Diferente das explosões estelares comuns, esse tipo de fenômeno permanece visível por mais tempo e apresenta padrões de brilho incomuns. Foi justamente um desses padrões que chamou a atenção dos cientistas: oscilações periódicas na luminosidade, descritas como um “chiado” ou “pulso” crescente ao longo do tempo.
A explicação para esse comportamento está em um efeito relativístico conhecido como precessão de Lense-Thirring. Segundo a teoria de Einstein, objetos extremamente massivos e em rotação podem “arrastar” o próprio espaço-tempo ao seu redor. No caso observado, o magnetar recém-formado fazia com que o disco de matéria ao seu redor oscilasse, como um pião desalinhado.
Esse movimento irregular fazia com que a luz fosse parcialmente bloqueada e refletida em intervalos específicos, criando um efeito de “piscar” detectado pelos telescópios. Foi esse padrão — impossível de explicar apenas com a física clássica — que revelou a presença do magnetar no coração da explosão.
A observação não apenas confirma uma hipótese antiga sobre a origem das supernovas mais brilhantes do universo, como também marca a primeira vez em que a relatividade geral foi essencial para explicar a dinâmica de uma explosão estelar.