Madeleine McCann: ex-policial defende uso de IA durante buscas por menina desaparecida
Para ex-policial britânico, a IA poderia não apenas identificar possíveis suspeitos, mas também abrir novas possibilidades de investigação

Após 17 anos de buscas e teorias, o desaparecimento de Madeleine McCann continua sem solução. Diante desse impasse, o ex-policial e jornalista investigativo britânico Mark Williams-Thomas sugere uma nova estratégia: que a investigação seja transferida para o domínio da inteligência artificial (IA).
Em uma entrevista ao Daily Star, o homem de 55 anos criticou a falta de colaboração entre as forças policiais de Reino Unido, Alemanha e Portugal. Ele destacou: “A IA seria muito útil no caso Madeleine, especialmente se envolvesse todas as forças policiais do Reino Unido, da Alemanha e de Portugal. Nenhuma delas tem uma boa relação. Se conseguissem trabalhar juntas e compartilhar todos os dados de cada parte da investigação, acho que seria muito revelador o que poderia identificar”.
Segundo o portal Extra, Williams-Thomas sugeriu que a tecnologia poderia não apenas identificar possíveis suspeitos, mas também abrir novas possibilidades de investigação. Ele ressaltou que existem evidências consideráveis que ainda não foram exploradas devido à relutância das autoridades em integrar suas informações. “há muitas provas, mas tudo depende de os três países aceitarem deixar a IA entrar no caso. Isso não vai acontecer por enquanto, porque as forças não se entendem. Portugal tem sua visão, os alemães têm outra e o pessoal da Scotland Yard tem a deles”, comentou.
O ex-policial enfatizou a complexidade das investigações e como os detetives podem ficar presos em suas próprias teorias, ignorando novas informações que possam contradizer suas hipóteses iniciais. Ele afirmou: “É muito difícil para um investigador sênior admitir que talvez tenha se enganado. Essa é uma falha da mente humana. A maioria das pessoas tem dificuldade em reconhecer um erro”.
“Imagine: você aparece na TV dizendo ‘acreditamos nisso, acreditamos naquilo’, e depois chegam dados que mostram que estava errado. Seria preciso muita coragem para um policial dizer: ‘Na verdade, eu me enganei’. A diferença entre a IA e os seres humanos é que os humanos têm falhas, a IA não”, prosseguiu.
Principal suspeito
O caso de Madeleine McCann, que desapareceu aos três anos de idade durante férias familiares em Praia da Luz, Portugal, permanece sem solução. O principal suspeito é Christian Brueckner, um alemão que cumpriu pena por crimes sexuais e que foi libertado recentemente.
De acordo com informações do portal BBC, embora nunca tenha sido formalmente acusado pelo desaparecimento de Madeleine, os promotores alemães dizem ter indícios de que Brückner estava na região da Praia da Luz, em Portugal, no dia em que a menina sumiu, em maio de 2007. Entre as evidências, estão registros de celulares. No entanto, as investigações não reuniram provas suficientes para apresentar uma acusação.
Brückner, que viveu por anos no Algarve, tem um longo histórico criminal, tendo sido condenado por abuso sexual de crianças em 1994 e 2016, além de outros crimes sexuais.
Em 2023, investigadores realizaram buscas nas proximidades da barragem do Arade, a cerca de 50 quilômetros da Praia da Luz, onde Madeleine McCann desapareceu. Eles concluíram que Christian Brückner esteve na região entre 2000 e 2017 e possuía fotos e vídeos feitos nos arredores do reservatório. Porém, no ano seguinte, o suspeito foi absolvido por um tribunal alemão de acusações de crimes supostamente cometidos em Portugal nesse mesmo período, sem relação com o caso McCann.
É importante mencionar que as diferenças entre os sistemas judiciais da Alemanha e do Reino Unido também pesam sobre a investigação. Enquanto autoridades alemãs sustentam a suspeita de que Brückner possa ter assassinado Madeleine, a polícia britânica ainda trata o episódio como desaparecimento.
Desde 2011, a Operação Grange, conduzida pela Polícia Metropolitana de Londres, já consumiu mais de 13,2 milhões de libras (cerca de R$ 93 milhões). Vale destacar que, no mês de abril, o governo britânico autorizou novo repasse de 108 mil libras (aproximadamente R$ 760 mil) para manter a investigação ativa.