Luigi Mangione pede adiamento de julgamento federal nos EUA
Defesa de Luigi Mangione alega falta de tempo para dois julgamentos simultâneos e diz que cronograma viola direitos constitucionais

Luigi Mangione deve comparecer nesta quarta-feira, 1º de abril, a um tribunal federal em Manhattan, em Nova York, para tentar adiar o julgamento em que é acusado de assassinar um executivo do setor de saúde. A audiência ocorre em meio a um impasse jurídico envolvendo dois processos simultâneos — um em âmbito federal e outro estadual — que, segundo a defesa, inviabilizariam uma preparação adequada.
O julgamento federal está marcado para 8 de setembro, enquanto o processo no Supremo Tribunal de Manhattan, referente ao mesmo crime, tem início previsto para 8 de junho. O pedido de adiamento apresentado pelos advogados de Mangione está diretamente ligado à proximidade entre as duas datas.
O caso envolve a morte de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, assassinado em 4 de dezembro de 2024 em uma rua de Manhattan. O crime deu início a uma ampla operação para localizar o autor dos disparos e também provocou forte repercussão pública, alimentando críticas ao sistema de saúde privado dos Estados Unidos. Nesse contexto, Mangione passou a ser visto por parte da opinião pública como uma figura simbólica.
Argumentos
A defesa sustenta que o cronograma atual compromete o direito do réu a uma defesa plena. Em carta enviada à juíza Margaret M. Garnett em 18 de março, os advogados afirmaram que “o Sr. Mangione encontra-se agora na situação de ter de se preparar para dois julgamentos complicados e sérios ao mesmo tempo”. Segundo eles, “este cenário viola vários dos direitos constitucionais do Sr. Mangione.”
Os representantes legais também destacam que o réu precisa acompanhar de forma ativa todas as etapas do processo, incluindo a seleção do júri. “Ele tem o direito de participar de forma significativa em todas as etapas de seu julgamento, incluindo o processo de seleção do júri”, argumentaram.
Um dos principais pontos levantados diz respeito ao envio de questionários a potenciais jurados, previsto para 29 de junho no caso federal. De acordo com a defesa, Mangione estaria, nesse período, envolvido diretamente no julgamento estadual, o que tornaria inviável a análise dos documentos. A equipe jurídica afirma que o réu ficaria diante de uma “posição impossível” ao ter que examinar cerca de 800 questionários simultaneamente ao andamento do outro processo. “Na prática, isso não seria possível”, acrescentaram.
Outro obstáculo citado é a logística de deslocamento. Durante o julgamento estadual, Mangione seria transportado diariamente ao tribunal e retornaria à prisão federal à noite, o que limitaria o tempo disponível para reuniões com seus advogados sobre o caso federal.
Diante desse cenário, a defesa solicitou que o julgamento federal seja adiado para janeiro de 2027. Eles também ressaltaram que o juiz Gregory Carro, responsável pelo processo estadual, indicou a possibilidade de remarcar esse julgamento para setembro, caso a instância federal seja postergada, repercute o The Guardian.
Os promotores, por sua vez, se opõem ao adiamento. Em manifestação enviada à Justiça em 21 de março, argumentaram que as dificuldades apontadas pela defesa podem ser resolvidas com ajustes no cronograma, sem necessidade de alterar a data do julgamento. “As preocupações identificadas pela defesa podem ser totalmente sanadas por meio de modificações específicas no processo de questionário, em vez de um adiamento total da data do julgamento neste caso”, afirmaram.
A acusação também observou que o cronograma inicial foi definido quando Mangione ainda enfrentava acusações que poderiam resultar em pena de morte — possibilidade descartada pela juíza em 30 de janeiro.
A decisão sobre o pedido de adiamento caberá agora à Justiça federal, que deverá avaliar se o atual calendário compromete ou não o direito de defesa do acusado, que segue declarando sua inocência.