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Justiça marca júri popular de Monique e Jairinho no caso Henry Borel

Sessão está prevista para o ano de 2026; pai do menino afirma que decisão reacende dor, mas renova esperança por Justiça

Henry Borel / Crédito: Reprodução/Redes sociais

A Justiça do Rio de Janeiro definiu a data do júri popular de Monique Medeiros da Costa e de Jairo Souza Santos Junior, o ex-vereador Jairinho, acusados pela morte do menino Henry Borel, ocorrida em março de 2021. O julgamento foi marcado para 23 de março de 2026, às 9h, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, segundo informou o Tribunal de Justiça ao UOL.

O pai de Henry, Leniel Borel — hoje vereador no Rio — afirmou nas redes sociais que a decisão “reabre uma ferida, mas dá esperança”. Ele destacou que a luta por Justiça se estende por mais tempo do que o período em que pôde conviver com o filho. “Tenho mais tempo lutando por Justiça pelo meu filho do que o tempo que eu tive com ele em vida”, desabafou.

Segundo o UOL, as defesas de Monique e Jairinho foram procuradas, mas ainda não se manifestaram. O espaço permanece aberto para posicionamentos.

Em fevereiro, o Supremo Tribunal Federal negou um habeas corpus solicitado pela defesa de Monique após ela sofrer um ataque dentro da prisão. Na ocasião, os advogados afirmaram que ela havia sido ferida por outra detenta com uma lâmina. O ministro Gilmar Mendes, porém, considerou que a Secretaria de Administração Penitenciária adotou as medidas cabíveis.

Ontem, a defesa de Monique voltou a acionar o STF. O advogado Hugo dos Santos Novais afirmou, em petição enviada ao ministro Gilmar Mendes, que a cliente permanece presa com base em fundamentos “inidôneos” e estaria submetida a “constrangimento ilegal”, mesmo após determinação anterior da Corte para reavaliação da detenção preventiva.

O caso

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021. De acordo com laudo pericial, a criança sofreu 23 lesões provocadas por “ação violenta”, que resultaram em hemorragia interna e laceração hepática. No dia da morte, Monique e Jairinho levaram o menino ao hospital alegando acidente doméstico. O Ministério Público sustenta, porém, que Henry foi morto por motivo torpe — Jairinho acreditaria que o enteado atrapalhava o relacionamento do casal.

Desde junho de 2021, Jairinho está proibido de exercer a medicina. Em 2023, o Cremerj cassou seu registro por decisão unânime, e o Conselho Federal de Medicina confirmou o parecer, encerrando a possibilidade de novos recursos na esfera profissional. No campo político, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também negou, por unanimidade, o pedido do ex-vereador para reaver o mandato na Câmara Municipal, cassado em 2021 por quebra de decoro parlamentar.