Fósseis revelam mordida mortal de T. rex em dinossauro bico-de-pato
Cientistas em Wyoming identificam furos e sulcos que detalham o ataque de um predador a um herbívoro há cerca de 72 milhões de anos

A descoberta de marcas de dentes em fósseis no estado de Wyoming, nos Estados Unidos, está permitindo que cientistas visualizem cenas brutais de um passado distante. De acordo com informações do veículo Popular Science, um estudo detalhado no periódico científico PLOS One analisou restos mortais que datam de 72 a 66 milhões de anos atrás. O foco da pesquisa são os ossos que preservam as perfurações e sulcos deixados pelas mandíbulas de um Tyrannosaurus rex, oferecendo evidências físicas de como esse predador interagia com suas presas no final do período Cretáceo.
Cicatrizes de predadores
Uma equipe de especialistas, incluindo Bethania C. T. Siviero, Elizabeth Rega e Matthew A. McLain, examinou mais de 3.000 ossos coletados em escavações entre 1997 e 2017. A grande maioria pertencia ao Edmontosaurus annectens, um herbívoro de grande porte conhecido como dinossauro bico-de-pato que habitava a América do Norte.
Do total analisado, apenas doze ossos continham vestígios de dentes, sendo que quatro apresentavam padrões de espaçamento e formato que coincidem com a mordida de um T. rex. Outras marcas podem ter sido causadas por crocodilianos ou carnívoros menores, o que demonstra a diversidade de ameaças na região.

Análise de interações
Pesquisadores como Leonard R. Brand, David Nelsen e Art V. Chadwick buscaram entender se os animais foram caçados vivos ou consumidos como carcaças. Como a maioria dos ossos não apresenta sinais de cicatrização, os cientistas concluíram que as mordidas ocorreram próximo ao momento da morte ou após o óbito.
Em um comunicado conjunto, os autores do estudo afirmaram que “o estudo das marcas de dentes em ossos fósseis é importante porque fornece informações valiosas sobre o comportamento animal e as interações entre as espécies”. Essa percepção ajuda a montar o quebra-cabeça de um ambiente onde herbívoros tinham poucas chances contra investidas fatais.
Guia para especialistas
Além de descrever os ataques, a pesquisa propõe uma ferramenta de identificação para futuros trabalhos de campo. É essencial diferenciar furos causados por dentes de alterações provocadas por doenças ou erosão natural para estudar a ecologia pré-histórica com precisão.
Os autores concluíram na publicação oficial que “distinguir entre esses diferentes tipos de modificações ósseas é essencial, pois podem fornecer informações valiosas sobre a condição de um animal antes da morte”. Com esse novo guia, a ciência ganha um recurso vital para interpretar a história de sobrevivência gravada nos fósseis por milhões de anos.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes