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Caça às pítons: restaurante troca cobras por pizza grátis na Flórida

Em Everglades City, caçadores podem trocar serpentes por pizzas enquanto ajudam a remover animais invasores que ameaçam a biodiversidade local

Píton-birmanesa. A espécie invasora é alvo do Florida Python Challenge - Foto: Andrew Lichtenstein/Corbis via Getty Images.

Os participantes do Florida Python Challenge 2026, uma competição anual destinada a reduzir a população de espécies invasoras na Flórida, encontraram um incentivo extra para suas capturas na região pantanosa dos Everglades. Além da chance de ganhar prêmios em dinheiro que podem somar US$ 25 mil (quase R$ 130 mil, na cotação atual), os competidores agora contam com uma recompensa gastronômica. 

O restaurante Wildman’s Pizza, Pasta and Python, situado em Everglades City, passou a aceitar as serpentes como uma forma alternativa de pagamento. De acordo com informações da Revista Galileu, a iniciativa une o esforço de controle ambiental com a promoção da culinária local em um ecossistema que sofre com o desequilíbrio biológico.

Moeda de troca exótica

O proprietário do estabelecimento, Dustin Crum, afirma ter criado um sistema pioneiro de intercâmbio comercial para incentivar a caça. Em entrevista exclusiva à emissora NBC Miami, o empresário destacou o ineditismo da ação que transforma predadores em benefícios diretos para os caçadores. 

“Sou o primeiro lugar no mundo a aceitar pítons como moeda. Você pode trocar uma píton por uma pizza”, afirmou Dustin ao detalhar como funciona a dinâmica de entrega dos animais no balcão. Conforme o veículo, essa estratégia visa engajar a comunidade no esforço de remoção desses répteis que não pertencem ao habitat norte-americano.

Restrições de saúde pública

Embora o restaurante utilize a carne da serpente como ingrediente, existem limitações legais rigorosas para o seu consumo humano. Devido às normas sanitárias vigentes nos Estados Unidos, a comercialização direta da carne desse réptil é proibida, o que impede o estabelecimento de lucrar com o item no cardápio regular. 

Por esse motivo, Dustin Crum explica que a única forma legal de servir o prato é sem custos para o cliente: “Não posso vender essas coisas, então preciso simplesmente dar de graça”, disse o dono do restaurante à NBC Miami. Além disso, as regras do desafio exigem que os animais sejam sacrificados de forma humanitária logo após a captura, sendo expressamente proibido o transporte de exemplares vivos.

Ameaça ambiental severa

A necessidade de caçar a píton-birmanesa ocorre devido ao grave dano que a espécie, originária do Sudeste Asiático, causou ao se estabelecer na Flórida após escapar de cativeiros ou ser solta por antigos donos. Sem predadores naturais nos Everglades, essas serpentes atingem tamanhos impressionantes, podendo chegar a 8 metros de comprimento e pesar 100 kg

Segundo dados oficiais da Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida (FWC), esses animais dizimam a fauna nativa ao se alimentarem de guaxinins, coelhos e até espécies protegidas como jacarés. Estima-se que mais de 23,5 mil pítons já foram removidas das áreas naturais do estado desde o ano 2000.

Aproveitamento total animal

Para minimizar o desperdício, o restaurante busca extrair utilidade de quase todas as partes das serpentes entregues. Conforme a revista Popular Science, a gordura das pítons é processada para a fabricação de óleos, cremes e sabonetes artesanais. 

Já as partes rígidas, como os ossos, são transformadas em joias, enquanto a pele é aproveitada na confecção de acessórios e outros itens para venda direta aos visitantes. Esse modelo de aproveitamento integral tenta transformar uma crise ambiental em uma oportunidade de sustentabilidade econômica para a região de Everglades City durante o período da competição.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.