Missão lunar: plano milionário combate praga “vampira” nos Grandes Lagos
Proposta de US$ 500 milhões busca erradicar lampreias-marinhas que devastam a pesca e causaram prejuízo bilionário durante a pandemia global

A preservação dos Grandes Lagos, na divisa entre os Estados Unidos e o Canadá, enfrenta um desafio comparável à exploração espacial em termos de complexidade e urgência. Um comitê bipartidário aprovou recentemente uma resolução para a “Lei para Salvar os Peixes dos Grandes Lagos de 2025”, prevendo o investimento de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,55 bilhões) ao longo de dez anos.
O objetivo central é conter espécies invasoras que ameaçam o ecossistema e a economia regional, sendo o projeto descrito como um “segundo projeto para a Lua” por especialistas. Conforme reportagem da CNN Brasil, essa iniciativa busca proteger a biodiversidade e a água potável de milhões de pessoas que dependem desse sistema hídrico.
“Inimigo” vampiro histórico
A lampreia-marinha, uma espécie nativa do Oceano Atlântico, invadiu os lagos no século 19 e teve um impacto devastador sobre peixes nativos como trutas e salmões. Esse parasita possui características assustadoras, com uma boca em forma de ventosa e anéis de dentes usados para sugar os fluidos vitais das presas até que estas fiquem secas.
O deputado Bill Huizenga, que atua como co-presidente da Força-Tarefa Bipartidária dos Grandes Lagos, destaca que a proteção dessas águas une políticos de diferentes espectros. “Os Grandes Lagos não são uma questão republicana ou democrata”, afirmou o parlamentar ao reforçar que a pauta é um motor econômico essencial para o modo de vida da região.
O experimento proibido
Durante o período crítico da pandemia de Covid-19, o distanciamento social impediu que as equipes realizassem o controle químico anual com lampricidas nos afluentes. Esse hiato involuntário gerou o que cientistas chamaram de “experimento proibido”, pois revelou a velocidade com que a praga retoma o território quando não há intervenção.
Em algumas áreas, a população de lampreias saltou 300%, gerando prejuízos estimados em US$ 2 bilhões (aproximadamente R$ 10,2 bilhões). “Sempre dissemos que, se não controlarmos a lampreia-marinha, ela voltará a se proliferar, é uma ameaça latente”, explicou Greg McClinchey, diretor de políticas da Comissão de Pesca dos Grandes Lagos (GLFC).
Impacto econômico
O avanço das espécies invasoras atinge diretamente a subsistência de milhares de famílias ligadas à pesca comercial. Para Vito Figliomeni, diretor executivo da Associação de Pesca Comercial de Ontário, o controle eficaz é a diferença entre administrar um declínio e realmente ter uma chance de reverter a situação.
Além das lampreias, mexilhões invasores como o zebra e o quagga colapsam a cadeia alimentar ao remover nutrientes essenciais da coluna d’água. Agora, a expectativa recai sobre o Congresso americano para liberar os recursos necessários para automatizar a filtragem de rios e garantir a sobrevivência de 75 mil empregos gerados pelo setor pesqueiro local.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes