Estudo mapeia água oculta nos EUA equivalente a 13 Grandes Lagos
Pesquisa mapeia reservas vitais de água nos EUA, estimando volume equivalente a 13 Grandes Lagos para auxiliar na gestão de recursos hídricos

Um mapeamento inédito, desenvolvido com alta tecnologia, revelou uma quantidade impressionante de água oculta sob o solo dos Estados Unidos continentais. Segundo o estudo publicado recentemente, o volume estimado de reservas subterrâneas chega a 306.500 quilômetros cúbicos.
Esse total equivale a 13 vezes a capacidade combinada de todos os Grandes Lagos ou, ainda, a quase sete vezes toda a água descarregada pelos rios do mundo em um ano. A pesquisa, liderada por hidrólogos das universidades de Princeton e do Arizona, representa um marco na hidrogeologia.
Diferentemente de estimativas anteriores, que variavam drasticamente devido à falta de dados padronizados, este novo modelo conseguiu calcular estoques até uma profundidade de 392 metros com uma precisão muito superior.
Resolução sem precedentes
De acordo com informações da revista Live Science, para alcançar esse nível de detalhe a equipe utilizou algoritmos avançados de aprendizado de máquina (IA). O sistema processou cerca de um milhão de pontos de dados coletados entre 1895 e 2023, combinando medições diretas de poços com informações de satélite e mapas geológicos.
Como resultado, o mapa oferece uma resolução espacial de 30 metros. Isso é significativamente mais preciso do que os modelos globais tradicionais, que operam com resoluções de até 100 quilômetros.
O estudo demonstrou que modelos com menor resolução tendem a subestimar o volume de água em até 18%, comprovando a importância desta nova abordagem tecnológica para a ciência de dados ambientais.
Impacto e gestão
Além de quantificar o volume, a inteligência artificial conseguiu incorporar o fator humano na equação. O algoritmo “aprendeu” a identificar padrões de extração e esgotamento de aquíferos causados pelo bombeamento excessivo ao longo das décadas.
Os dados evidenciam também que, em cerca de 40% do território americano, o lençol freático está a menos de 10 metros da superfície, facilitando a interação entre a água subterrânea e a vegetação.
Dessa forma, o novo mapa surge como uma ferramenta essencial para o planejamento estratégico. A expectativa é que gestores de recursos hídricos e agricultores utilizem essas informações precisas para tratar as águas subterrâneas como uma “conta poupança” vital, garantindo uma gestão mais sustentável frente às demandas de irrigação e consumo.
- Sob supervisão de Giovanna Gomes