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Dinossauro gigante caçava peixes no antigo Sudeste Asiático

Fóssil de dinossauro encontrado na Tailândia amplia o conhecimento sobre a diversidade dos espinossaurídeos na Ásia

Dinossauro ilustração
Ilustração de espinossauros - Kmonvich Lawan

Pesquisadores anunciaram a análise de um fóssil incomum de dinossauro carnívoro com cerca de 7 a 8 metros de comprimento — mais longo que uma caminhonete moderna — que viveu e morreu nas margens de um antigo sistema fluvial no que hoje é a Tailândia há cerca de 125 milhões de anos, no início do período Cretáceo.

Os restos desse predador, achados na formação rochosa Khok Kruat, incluem partes importantes da coluna vertebral, pelve e cauda, tornando este um dos espécimes mais completos de um espinossaurídeo já descoberto na Ásia. Espinossaurídeos são um grupo de dinossauros bípedes, predadores de aparência peculiar, com focinho alongado, dentes semelhantes aos de crocodilos e, em muitas espécies, **“velas” altas ao longo das vértebras dorsais.

Os pesquisadores ainda não deram um nome científico formal ao dinossauro, mas adotaram o apelido “Sam Ran spinosaurid”, em referência à localidade onde o fóssil foi encontrado. O estudo dos restos vem acontecendo desde a descoberta em 2004 e faz parte de uma investigação paleontológica mais ampla sobre os espinossaurídeos asiáticos.

Segundo os cientistas envolvidos, o animal apresenta várias características típicas dos espinossaurídeos, incluindo vértebras cervicais alongadas e espinhos neurais altos. No entanto, também há traços que distinguem este indivíduo de espécies já conhecidas, como espinhos relativamente mais curtos do que os de Spinosaurus e formas mais “paddle-like” (semelhantes a pás) que lembram os de Ichthyovenator — outro espinossaurídeo encontrado no sudeste asiático.

Pesquisadores como Adun Samathi, da Universidade de Mahasarakham, observam que essa descoberta fortalece a hipótese de que os espinossaurídeos — tradicionalmente mais conhecidos por fósseis africanos e europeus — também foram diversificados e importantes na Ásia durante o Cretáceo. Animais dessa família parecem ter sido adaptados a ambientes fluviais e costeiros, com ecologias especializadas em predar peixes e outras presas aquáticas ou semi-aquáticas.

Os fósseis não foram associados apenas ao dinossauro gigante: o sítio da Khok Kruat revelou uma fauna rica que inclui tubarões de água doce, peixes ósseos, tartarugas, crocodilomorfos e outros dinossauros, como um sauropode e um iguanodontiano, oferecendo um retrato detalhado de um ecossistema antigo às margens do rio.

Os cientistas acreditam que, embora esse espinossaurídeo não fosse um nadador tão especializado quanto o famoso Spinosaurus aegyptiacus da África — que viveu dezenas de milhões de anos depois e podia atingir até cerca de 15 metros de comprimento — ele ainda era um predador eficaz nos ambientes aquáticos e semi-aquáticos do Cretáceo.

Os resultados foram apresentados no encontro anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados de 2025 em Birmingham, na Inglaterra, e ainda não foram revisados por pares, mas já apontam para um cenário surpreendentemente complexo da evolução dos espinossaurídeos fora da África e da Europa.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.