Selos raros revelam poder de princesa medieval russa
Arqueólogos em Vladimir encontram selos de chumbo de Maria Vsevolzhaya, comprovando sua atuação política inédita na administração da dinastia Rurik

Em uma descoberta que redefine a compreensão sobre o papel feminino na nobreza russa, arqueólogos identificaram dois raros selos de chumbo pertencentes à princesa Maria Vsevolzhaya. Os artefatos foram encontrados na cidade de Vladimir durante escavações realizadas em 2025 pela Academia Russa de Ciências.
Datados do final do século 12 e início do século 13, os objetos serviam para lacrar documentos oficiais, revelando que a princesa possuía uma influência administrativa e política até então pouco documentada na dinastia Rurik, a linhagem que governou a Rússia medieval.
Achados em Vladimir
As peças foram localizadas durante escavações de salvamento em um terreno de 400 metros quadrados na Rua Volodarsky, antes da construção de um hotel. O local preservou camadas culturais que mostram a vida cotidiana de uma das cidades mais importantes da Rússia antiga.
Além dos selos, os pesquisadores encontraram fragmentos de ânforas, pulseiras de vidro, anéis e uma cruz de pedra. Esses vestígios indicam que a área abrigava propriedades da elite da época, situadas perto de uma rua medieval com seis metros de largura.

Simbolismo da dinastia
Ambos os selos foram produzidos com o mesmo par de moldes e apresentam iconografia religiosa específica. Um lado exibe Santa Maria segurando uma cruz, enquanto o reverso mostra São Dmitry com uma lança e um escudo.
Conforme informações da publicação Archaeology News, a identificação da proprietária foi possível porque Dmitry era o nome de batismo do príncipe Vsevolod, o Grande Ninho, marido de Maria. As regras heráldicas da dinastia Rurik frequentemente uniam santos ligados ao príncipe e aos seus familiares diretos, como o pai de Vsevolod, o príncipe Yuri Dolgorukiy.

Papel administrativo raro
A relevância da descoberta reside na comprovação de que Maria Vsevolzhaya participava de assuntos de Estado. O relatório oficial destaca a dificuldade histórica em documentar a vida dessas nobres, afirmando que “identificar suas donas é difícil porque as fontes escritas frequentemente nomeiam as mulheres pelos nomes de seus maridos ou pais”.
Mãe de doze filhos e fundadora do Convento da Princesa da Assunção em 1200, Maria é descrita como uma figura respeitada na corte. Seu selo pessoal é a prova material de que sua autoridade ia além da vida religiosa e doméstica, exercendo um papel burocrático raro para mulheres na administração principesca medieval.
+++ Estudo revela o papel desconhecido de escribas mulheres na Era Medieval
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes