Notícias / Arqueologia

Estudo revela que primeiros humanos processavam plantas muito antes da agricultura

Pesquisadores mostram que os primeiros humanos já processavam plantas muito antes da agricultura, revelando uma dieta variada essencial para a sobrevivência

Pintura representando antigos humanos caçadores-coletores do Pleistoceno
Pintura representando antigos humanos caçadores-coletores do Pleistoceno / Créditos: Getty Images

Quando pensamos nos primeiros humanos, a primeira coisa que vem à mente é que sua dieta era somente focada em caçar animais e consumir sua carne. No entanto, um novo estudo publicado em 25 de novembro no Journal of Archaeological Research, pretende mudar essa visão. 

A pesquisa coloca nossos ancestrais como hábeis em coletar, processar e consumir uma ampla variedade de plantas muito antes de qualquer forma de agricultura existir. Com uma pesquisa ampla, ao revisar sítios arqueológicos de várias regiões, pesquisadores da Austrália e do Canadá concluíram que os primeiros humanos tinham uma dieta diversificada, não baseada apenas em proteína animal.

Importância das plantas

A princípio, a visão tradicional era de que os vegetais só se tornaram importantes no final da pré-história, durante o Epipaleolítico. Nesse período, os caçadores-coletores supostamente começaram a usar sementes, gramíneas e outros recursos antes não explorados, conforme repercutido pela revista Archaeology News.

Porém, agora os pesquisadores demonstraram que os primeiros humanos já moíam sementes silvestres, cozinhavam raízes ricas em amido e processavam nozes milhares de anos antes. Evidências encontradas em sítios como Ohalo II, em Israel, e Madjedbebe, na Austrália, incluíam restos de plantas e ferramentas de pedra com resíduos de moagem.

Dieta variada

De acordo com o estudo, a dieta variada não era apenas uma questão de preferência, mas também de necessidade fisiológica. Os humanos têm algo chamado “limite proteico”, que indica que o consumo excessivo de proteína sem gordura ou carboidratos pode causar doenças.

Assim, na maioria dos ambientes, os povos primitivos equilibravam a carne com alimentos de origem vegetal, ricos em carboidratos e energia. Estudos sobre diferentes sociedades de caçadores-coletores mostraram que as plantas eram responsáveis por fornecer de 35% a 55% das calorias.

Adaptação humana

Os autores afirmam que a ideia de uma mudança tardia na dieta humana está desatualizada. Para eles, o uso de plantas foi uma adaptação contínua que influenciou a evolução. Ferramentas de moagem e técnicas de cozimento permitiram extrair mais energia de sementes, raízes e nozes. Essa versatilidade ajudou os primeiros humanos a ocupar diferentes ambientes do planeta.

Um termo proposto pelos autores é o de “espécies de amplo espectro” para definir essa capacidade humana de transformar muitos recursos naturais em alimento. A análise mostra que essa flexibilidade foi decisiva para a sobrevivência dos hominídeos. 

Eles destacam que a importância das plantas permanece evidente hoje, já que grande parte da dieta global ainda depende delas. O estudo então mostra que os primeiros humanos não eram só caçadores, mas coletores criativos que processavam diferentes plantas para obter energia. Um uso amplo de recursos vegetais que foi decisivo para a expansão da nossa espécie, muito antes da agricultura surgir.