Estudo revela que polvos podem sentir ‘sabor’ das fêmeas mesmo sem vê-las
Uma pesquisa da Harvard analisou os métodos de reprodução dos polvos e se surpreendeu com os resultados; entenda!

No último dia 2, na revista de divulgação científica, Science, pesquisadores de Harvard apontaram para nova descoberta no sistema reprodutivo dos polvos. Conforme a pesquisa, o hectocótilo, órgão reprodutivo e também tentáculo do polvo, possui órgão sensorial para identificar fêmeas mesmo sem vê-las.
A característica chamou atenção dos estudiosos quando polvos machos conseguiram reproduzir com fêmeas mesmo sem enxergá-las. Mais curioso se tornou quando perceberam que os animais conseguiam descobrir onde era o canal reprodutivo feminino com precisão
A pesquisa
Diante dessas características, os pesquisadores coletaram espécimes de polvos-de-duas-manchas-da-califórnia para fazer os testes. Primeiramente dividindo um macho e uma fêmea por uma pequena fresta, para assim descobrir as capacidades de reconhecimento do animal.
Pablo Villar, biólogo da Universidade de Harvard e coautor do estudo, em entrevista ao Washington Post, aponta que:
Eles acasalaram através da divisória […] Para nós, essa foi a demonstração mais simples e clara de que eles conseguem se reconhecer apenas usando a quimiorrecepção”.
Prosseguindo no estudo, os pesquisadores fizeram testes com tubos artificiais banhados com hormônios diversos. No entanto, apenas os tubos com o “sabor” da progesterona das fêmeas de polvo foram testados e procurados pelos machos.
Assim, ao fazer a análise intra molecular foi possível identificar moléculas sensoriais nesse órgão improvável. Ainda, vale a pena destacar que parte da pesquisa foi disponibilizada na internet. Confira aqui!
Pressuposições
Dessa forma, diante da novidade, os pesquisadores interessados no assunto começaram a tentar descobrir as razões para essa característica.
Alguns apontaram que os machos, muito provavelmente, conseguem descobrir se as fêmeas estão férteis sem nem sequer encostar nelas. Já outros, apontaram que essa pode ser uma vantagem evolutiva para fecundações rápidas mesmo no escuro do oceano.
De todo modo, a notícia chocou o mundo científico. No entanto, os pesquisadores apontaram que essa característica só foi analisada nos polvos-de-duas-manchas-da-califórnia, e que, outras espécies também têm de ser exploradas individualmente.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli